30 Novembro 2022, Quarta-feira
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As contradições de Salazar

Caro leitor, num tempo em que alguns insistem em ressuscitar o que deveria estar morto e bem enterrado, é pertinente relembrar o que a propaganda salazarista impediu que chegasse ao conhecimento dos Portugueses:  a prática do homem que apregoou o slogan «Deus, Pátria, Família», foi a antítese daquilo que defendeu.

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O governante construído pela propaganda do regime seria um celibatário, sem mácula de pecado, defensor da moral católica. Por exemplo, as relações sexuais tinham como fim único a procriação, tal como tinha acontecido na Idade Média. A realidade mostrou um homem bem diferente. Ainda adolescente, quando estudava em Viseu, quebrou as regras impostas pelo colégio religioso que frequentava para se encontrar, às escondidas, com uma apaixonada. Aos vinte e cinco anos, foi expulso da casa dos padrinhos de batismo, que o tinham acolhido com vista a poder fazer os estudos universitários, por ter cortejado a sua filha com dezasseis anos de idade. Envolveu-se com a aristocrata Carolina de Asseca, a quem prometeu casamento, obviamente católico, ou seja, perante Deus, o que levou a revista Times, em 1946, a recordar-lhe as suas origens rurais: «o decano dos ditadores da Europa, tem a ambição de juntar as suas botifarras de rústico aos chapins aristocráticos da condessa.» Logo que tomou conhecimento da notícia da Times, o ditador português abandonou a sua amada, esquecendo as promessas de casamento. Outra das suas amantes, jornalista francesa, mulher casada, acabou por se divorciar devido ao envolvimento amoroso com Salazar. «O decano dos ditadores da Europa» passou horas ao telefone falando sobre assuntos de Estado com uma cartomante, mulher que influenciava a governação de Portugal. O seu relacionamento com alguém que não respeitava a afirmação «a Deus o que é de Deus, aos homens o que é dos homens», se tivesse acontecido antes do fim da Inquisição, em 1820, poderia ter levado os dois a serem queimados vivos numa das fogueiras do Tribunal da Inquisição. Dirigindo-se aos Portugueses, no contexto da Segunda Guerra Mundial, Salazar afirmou: «salvei-vos da guerra, mas não consigo salvar-vos da fome.» Ora, este homem que «salvou os Portugueses da guerra» foi o responsável direto pelo conflito armado em Angola, em Moçambique e na Guiné. Quantos filhos de Deus, maridos, irmãos morreram na Guerra Colonial?

A moral salazarista impôs que fosse publicada legislação específica para as medidas dos fatos de banho de mulheres e de homens, contudo o ministro da justiça que exigiu uma investigação séria ao caso Ballet Rose- o escândalo de pedofilia que abalou o regime- foi demitido. Salazar, além de nunca ter constituído família, pois não casou nem foi pai, destruiu várias famílias.

O homem que tanto amou a sua mãe, não se compadeceu por milhares de mães saírem de casa antes do sol nascer e regressarem depois de o astro rei desaparecer no horizonte, deixando os seus filhos de tenra idade- filhos de Deus- entregues aos irmãos com cinco, seis, sete anos, como se de adultos se tratasse. Quantas criancinhas morreram por o meio de transporte- o burro- ser demasiado lento, chegando tarde ao hospital?

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Recentemente, o líder de uma força política de extrema-direita afirmou: «Deus, Pátria, Família e Trabalho, é nisso que este partido acredita.» Eu acredito nos partidos democráticos- CDS, PSD, PS, PCP e BE-, criados antes ou logo após Abril de 1974, partidos estruturantes da nossa democracia, partidos que respeitam a Constituição da República Portuguesa, ou seja, que não «se estão nas tintas» para a «mãe de todas as leis.» Em democracia o «povo é quem mais ordena», pois, «o voto é a arma do povo»; dia trinta de janeiro próximo que o voto seja usado em defesa da democracia.

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