3 Fevereiro 2023, Sexta-feira
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De volta ao futuro

Começámos, há já alguns dias, a ter o nosso próprio olhar na cadeia televisiva CNN, com direito até a estreia no Mosteiro dos Jerónimos, símbolo de abertura de Portugal ao mundo. Logo à partida, só pode ser de saudar o surgimento de mais um canal dedicado à informação e ao jornalismo. Sobretudo se a aposta for na análise da notícia confrontada factos e com a verdade, sem se esgotar no comentário avesso ao contraditório. É, também, um investimento que conhece o universo da língua portuguesa (mais de 250 milhões de falantes) e que reconhece o Portugal do presente como dos mercados europeus com mais rápido crescimento.

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Na verdade, já éramos um país out of the box ainda antes da expressão “fora da caixa” começar a circular. O apresentador Trevor Noah do programa americano The Daily Show brincou a nova lei laboral portuguesa que impulsiona o dever de as entidades patronais não contactarem funcionários fora do intervalo das horas laborais. Alegou que ninguém no mundo sabia o que se produzia em Portugal. Se só a menção dele à lei em causa era prova da nossa notoriedade, as respostas via Twitter não se fizeram esperar e foram desde a pastelaria ao vinho, a Bordalo Pinheiro, à cerâmica das Caldas. Os mais irónicos foram os que lembraram o apresentador que a Declaração da Independência americana foi celebrada com vinho da Madeira…

Isto quer dizer que Portugal é só vinho e pastel de nata? Que Setúbal é só moscatel e a Autoeuropa e o resto é praia? Ou que somos um país avançadíssimo a nível tecnológico? Nem uma coisa nem outra. Mas temos uma capacidade de resiliência e de adaptação que temos de materializar em inovação. É por isso que são fundamentais as “Agendas Mobilizadoras e Verdes para a Inovação Empresarial – Propostas para a economia de futuro”, cuja apresentação temos assistido nos últimos dias. Até 2030, estas Agendas deverão contribuir de forma efetiva para o aumento das exportações de bens e serviços, bem como para o incremento do investimento em I&D e para a redução das emissões de CO2. O investimento em I&D, aliás, tem sido uma constante em Portugal nos últimos anos e a despesa total em I&D atingiu em 2020 um novo máximo histórico (mais 969 M€ face a 2015). Este é um caminho que devemos e vamos continuar.

Outro caminho é o de ir além das políticas binárias que tratam tudo e todos por igual. Mais do que nunca precisamos de especificidade. Precisamos de mudanças estruturais que, fazendo a diferença no presente, a projetem para o futuro. É neste sentido que é importante o anúncio de que Portugal vai pedir à União Europeia que a Península de Setúbal passe a ser uma NUTS II. A correção deste erro histórico do PSD e do CDS vai trazer equidade à região no acesso a fundos comunitários.

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A Sessão Legislativa que agora terminou tem essa marca de mudança – corrigir erros estruturais apesar da conjuntura de desesperança e de ceticismo. Setúbal está como Portugal: temos tudo para dar certo. Basta manter o rumo do futuro.

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