27 Janeiro 2022, Quinta-feira
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A acção de formação Coastwatch (Parte II)

Na sequência da crónica da semana anterior, realizei uma acção de formação intitulada Coastwatch 2021 “Um Mar de Oportunidades”, organizado pelo GEOTA e pelo MARE.

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Na primeira saída estivemos na praia da Albarquel, onde procurámos os nossos roazes corvineiros (Tursiops truncatus), mas não os conseguimos encontrar.

Segundo informação avançada pelo Instituto de Conservação das Naturezas e Florestas (ICNF), e ao contrário do que sucedeu nos últimos anos, neste Verão de 2021 não ocorreram nascimentos de roazes corvineiros no Rio Sado. O nascimento das crias dá-se entre Maio e Setembro, mas a ausência de novas crias este ano, apesar de incomum, pode não ser alarmante.

Tal pode explicar-se pelo reduzido número de fêmeas na população de roazes. Nos últimos anos ocorreram nascimentos e as fêmeas estão ainda a cuidar das crias, mostrando-se eventualmente indisponíveis para procriar.

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Ainda de acordo com o ICNF, em 2020 nasceram três crias: Coral, Bolha e Neptuno. Em 2019 nasceram duas crias e em 2018 outras três, mas nem todas sobreviveram.

A população residente de roazes corvineiros no Sado, única na Europa, conta com 27 golfinhos, encontrando-se estabilizada desde os anos 2000.

Têm sido implementadas medidas rigorosas de monitorização e acompanhamento desta comunidade de cetáceos, nomeadamente junto dos operadores marítimo turísticos, o que tem permitido minimizar os impactos sobre esta população.

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Na segunda saída, esta já autónoma, escolhi a zona litoral localizada entre a descida do Outão e o Pontão da Figueirinha.

É uma zona constituída essencialmente por pedregulhos de média e sobretudo, de grandes dimensões, de características calcárias, logo algo friáveis, e que se foram progressivamente soltando da Serra da Arrábida, ao longo dos séculos.

Esta é uma zona de difícil acesso, apenas se conseguindo alcançar a pé ou de barco. Com a maré cheia, somente se circula através dos referidos pedregulhos; com a maré baixa, já se consegue circular na areia, mas ainda a custo.

Os pedregulhos ocupam todo o espaço, quer longitudinal, quer transversalmente, desde a zona supralitoral até à zona infralitoral, conjuntamente com a areia que também se encontra presente, mas somente a partir da zona médio/infralitoral.

Encontramos muito poucos calhaus rolados, indicador evidente de pouca ondulação habitual.

Relativamente à flora, encontrei colónias de algas verdes (Chlorophyta), em pequenas bandas, seguras às rochas, mas em número bastante significativo.

No que diz respeito à fauna, encontrei centenas de colónias de mexilhão (Mytilus edulis), de lapas (Patella vulgata), alguns caranguejos (Brachyura) e algumas anémonas (Actiniaria)

Todas estas características conjugadas (difícil acesso, morfologia física, tipologia de fauna e flora, ondulação, características visuais da água do mar), sugerem-nos que esta zona parece ser uma de pouca frequência humana, com água do mar limpa e cristalina e praticamente frequentada por inúmeros pescadores, que me informaram simpaticamente que utilizam toda esta zona para pesca de recreio.

De acordo com os seus testemunhos, o peixe que capturam, distribuem-se pelas seguintes espécies: robalos (Dicentrarchus labrax), alcorrazes (Diplodus annularis), douradas (Sparus aurata), pargos (Pagrus pagrus), sargos (Diplodus sargus), salmonetes (Mullus) e linguados (Solea solea).

Esta foi uma excelente acção de formação, onde mais uma vez se constatou a beleza de toda esta nossa região de Setúbal.

Fica aqui um desafio para a participação na 32ª Campanha Coastwatch 2021-2022 com o tema “Emergência Oceano”. Basta percorrer a pé uma zona costeira e com os materiais do projecto recolher informações ambientais e, sempre que possível, lixo.

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