2 Dezembro 2021, Quinta-feira
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Os tabus do humor

Tenho por hábito ou mau feitio, qual truta rio acima, seguir contra a corrente: contra o senso comum. E ser-me-ia fácil neste momento, compreensível a todos, ser mais um a dar a sua opinião e sob qualquer uma das perspetivas possíveis, escrever sob o Covid19, seu fim, quase ou ainda não Ou claro, as recentes eleições. Mas se a pandemia, as máscaras ou falta delas, seu uso ou desuso, testes feitos e por fazer, números, vítimas, erros ou acertos de quem decide ou determina, sabe, aconselha e merece mais ou menos lamento ou homenagem, já nos cansa muito. Eu, renovo apenas, o meu agradecimento insuficiente a todos aqueles, que nestes dois anos arriscaram a sua, para outras vidas salvar. E sobre as eleições, prefiro por agora ficar-me no: a ver vamos…

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Mas achei que não e preferir, que a partir daqui e até que me chame nomes feios no fim, se na sua leitura lá chegar e não gostar. Que quem me leia se distraia, do medo e da preocupação, ficando a reflexão sobre o humor. Porque é precisamente isso, que com quase vinte anos de idade e em reposição na Tv, fazem lá pelas cinco e meia da manhã, hora a que me levanto para trabalhar, os “Malucos do Riso”, “Os Batanetes” e não só. É que foi com olhar de reflexão e a ajuda deles, e suas piadas, que percebi, o quanto cada vez mais livres de pensar e de falar, vamos trocando apenas de tabus. Trocando tão somente os assuntos antes proibidos de brincar, por aqueles que agora, só apenas entre amigos e família, o ousamos fazer.

Não fazia naquele tempo outra coisa o Herman; não se atreve hoje nem de leve o grande Ricardo Araújo Pereira, gracejar que seja, com a sexualidade, seus maneios e trejeitos tão exagerados por vezes. Seja homo, hétero, seja trans ou seja, qualquer outro género, ainda por surgir. Cai mal, é preconceito, descrimina. Como descriminaria o grande Camacho Costa nos dias de hoje, aquela ou outra qualquer minoria étnica, no seu brincar de ser cigano. Brincar, ridicularizando crianças é bulling; traumatiza. Com gordos, com magros, com quem tem óculos ou nariz grande, cai mal brincar. Entre patrão e secretária, seja ela de carrapito, buço e verruga no queixo, ou pior, de peito e decote generoso e minissaia poupadinha, é brincar com assédio. É mesmo ofensivo! E piadas com estrangeiros, do: “era uma vez um alemão, um francês, um português, e…”, é humor xenófobo. Não!

E sob a mesma proteção do falso e hipócrita moralismo, que tirou a poção mágica ao Asterix, apelo ás drogas ou o cigarro, incentivo a fumar, ao Lucky-Luke, o nosso humor vai ficando mais pobre. Diz-se, e eu concordo, que o sentido de humor é sinal de inteligência. Entenda-se: quer ao faze-lo, quer ao reagir a ele. E como os tempos que correm e sua evolução, atestam a nossa, como sociedade. Penso, que apenas alguma falta de autodeterminação, perda de autoestima social, pode justificar este empobrecimento do mundo humorístico. Esta perca da nossa capacidade de rirmos de nós mesmos, como gostaria de continuar a fazer, no meu caso, contando com gosto, já que o sou com orgulho, anedotas de alentejanos. Em que nunca me senti ofendido! Ou aquelas, que num futuro já breve, pois a idade já os leva aos poucos todos os dias, sobre carecas. Não sei, se será melhor encontrar na resposta algum complexo de vitimização. Que nos leva a levantar as bandeiras do preconceito, do racismo, etc, a quase tudo e todos. Ou por outro lado, a presunção feita orgulho besta em nós mesmos, que querendo sempre ser diferentes, nos impede de brincar e rir, do que nos diferencia. Livres da censura política, irónica e democraticamente resta-nos para brincar e fazer humor, os políticos. Que para o mal ou para bem, dão pano para mangas …, mas curtas. Limitadas para a saudável, limpa e pura gargalhada, que as anedotas que hoje evitamos e o lápis sem cor da censura moral nos corta, provocava. Humor, é sempre brincar com respeito. Até porque, caso contrário, perde a graça.

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Antonio Guerreiro
Autor literário
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