7 Dezembro 2021, Terça-feira
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A exigente responsabilidade do Partido Socialista

No domingo realizaram-se, na Alemanha, eleições para preenchimento dos 598 lugares do Bundestag, a quem cabe eleger o chanceler federal.

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Como é sabido, neste mesmo dia tiveram lugar as eleições autárquicas em Portugal.

É sobre ambas que me proponho escrever, apesar de desconhecer os resultados eleitorais, porque escrevo este artigo na sexta feira.

O facto de Angela Merkel ser a primeira mulher a ocupar o lugar de chanceler, exercendo-o há dezasseis anos, desde 2005, sendo líder da União Democrata-Cristã (CDU), de 2000 a 2018, com uma influência marcante, justifica-o acrescidamente.

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No que respeita às eleições autárquicas em Portugal, elas são as que, ao envolverem milhares de candidatos para as listas que se apresentam a sufrágio, têm um grande poder mobilizador no eleitorado, o que não é uma questão menor em democracia.

Merkel, eleita secretária-geral da CDU em 1998, seria chanceler em 2005, numa grande coligação de partidos que, entre outros, incluiu o Partido Social Democrata (SPD), da família do PS, por três das quatro vezes.

Em resultado das eleições que  tiveram agora lugar, o país não deixará de ser mais uma vez governado em coligação, qualquer que seja o resultado eleitoral.

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Admito que possa ser o líder do SPD a ser o preferido pelo Bundestag para o cargo de chanceler da Alemanha para os próximos quatro anos, mas este facto não me parece que alterará no essencial a política seguida.

Em Portugal, ao ter presente a participação do eleitorado, não posso nem devo deixar de sublinhar que, a confirmarem-se o que as sondagens indicam sobre o elevado absentismo, este facto deve merecer séria reflexão de uma vez por todas e mesmo a nível mais global.

Pela primeira vez, concorreram dois partidos que nas últimas eleições legislativas tiveram expressão parlamentar, o Chega e a Iniciativa Liberal,  mas julgo expectável que não ultrapassem o que as sondagens evidenciaram, não conquistando qualquer presidência de câmara. Há aumento de listas de independentes a concorrerem, cuja expressão eleitoral julgo não ter alterações substanciais.

Os partidos que constituíram a democracia, o PS, o PSD, o PCP e o CDS, continuam a ser os únicos, ainda hoje, com presidentes de câmara municipais.

O próprio BE só teve uma presidência de Câmara Municipal, que entretanto perdeu, apesar de reiteradas participações em sucessivos atos eleitorais autárquicos.

Na análise global que procuro fazer, cumpre-me notar o que mais importa para o futuro é ter em atenção a impressionante posição do PS, não obstante o desgaste natural causado por quase seis anos consecutivos no poder e que continuará, seguramente, a ser, de forma expressiva, o partido mais votado.

É que na oposição, o CDS, que formou parte das listas em coligação com o PSD, procurou, desta forma, fazer prova de vida, sem se expor demasiado.

Os dois partidos de direita, o PSD e o CDS, vão, a muito curto prazo, a eleições internas, continuando a competir ao PS a assunção das responsabilidades governativas, mantendo-se também como o partido com maior número de autarquias.

Mas vamos aguardar, como São Tomé – ver para crer – ,o que se seguirá, sendo que tudo indica que o que se vai seguir, perante a estabilidade no partido que governa o país – o PS – e ainda bem – , a turbulência será o que saltará para a comunicação social, na disputa de quem dirigirá, no futuro, os partidos da oposição, no caso, o PSD e o CDS.

E porque o país tem de ser governado, a estabilidade governativa continuará com o PS, sem contradições e em unidade, independentemente das sensibilidades existentes no seu seio, próprias de um partido vivido e livre.

Dito isto, é por demais evidente, neste quadro, que o Partido Socialista tem uma responsabilidade acrescida para a qual tem de dar garantias. É, aliás, uma exigência sem discussão.

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Eurídice Pereira
Deputada do Partido Socialista
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