16 Maio 2022, Segunda-feira
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A Liberdade

Na semana que passou falou-se muito de “Liberdade”, o que me motivou a falar desse tema nesta coluna de opinião, particularmente por que o tema me é muito querido porque vivi  quase meio século sem ela. E falou-se dela a propósito do falecimento de Otelo Saraiva de Carvalho, o estratega do golpe militar de “25 de Abril” que realmente acabou com a mais longa ditadura da Europa. Permitam-me o arrojo de afirmar que quem não viveu sem esse bem precioso que é a liberdade não sente verdadeiramente o o valor desse golpe militar que apenas queria acabar com a guerra que Salazar iniciou e Marcelo Caetano teimosamente mantinha contra os ventos independentista que tinham varrido as colónias dos países europeus.  A França negociou sem perca de sangue as suas colónias de África e a Inglaterra cedeu aos esforços pacifistas dum Gandhi na India.

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E com o golpe militar veio a LIBERDADE. Sabem o que é ter medo de conversar à mesa dum café parque ao lado podia estar um informador da Polícia Política? Sabem o que é ver a censura cortar o que escrevíamos sobre os nossos problemas sociais? Sabem p que é ter de ouvir ás escondidas discos de certos cantores que cheirassem a crítica social? Sabem o que é ter de esconder em sítio escuso livros de autores nacionais ou estrangeiros que falassem de liberdade? Sabem o que é fazer uma palestra numa reunião e ser depois acusado ás autoridades por falarmos, por exemplo, de que todos os povos tinham direito á sua autodeterminação? Não sabem como isto era opressivo e como se saboreou essa liberdade trazida pelo golpe militar  – honra aos oficiais que deposeram sem derramamento de sangue esse regime opressivo, independentemente dos percursos posteriores que cada militar seguiu mais ou menos manipulado pelas forças políticas que surgiram da clandestinidade.

E falou-se de Liberdade ao programar-se a nossa conduta, oprimidos pelos confinamentos e outras medidas de proibições que se julgam necessárias para conter a marcha duma pandemia que mata e deixa rastros ainda mal conhecidos nos contaminados pelo famoso vírus. E foram os desempregados, os proprietários de lojas fechadas pelas autoridades sanitárias, os patrões e os trabalhadores ameaçados de dificuldades financeiras ,todos a suspirarem pelo fim de todas essas medidas restritivas da nossa liberdade – não só cá entre nós mas noutros países (por exemplo a Grã Bretanha) que falaram num “dia da liberdade”.  E foi o tempo, com neve no Rio de Janeiro, ou mais de quarenta graus de calor no Canadá e os incêndios tremendos obrigando as pessoas a obedecerem a medidas preventivas ,e falou-se nesses casos de falta de liberdade. E grandes manifestações em Paris, em nome dessa liberdade, contra a obrigação de se vacinarem. Temos até a liberdade de destruir os equilíbrios da natureza,  mesmo sabendo já que se aproxima a situação trágica de tornar o nosso planeta inabitável dentro de décadas !

A liberdade é um bem tão precioso que até Deus – o Criador – depois feito homem em Jesus- nos deixou a liberdade de amar ou pecar não amando o próximo nosso irmão. E com a nossa inteligência levámos a tecnologia e as ciências a criarem a energia atómica, a alterarem o nosso genoma, a devassar os espaços siderais, pousando na lua e até em marte – tudo isso podendo ser usado para o bem ou para o mal – é a liberdade e as suas possíveis consequências. Ela é mesmo um bem precioso que necessita ser bem utilizada, mas cuja falta  ou a sua presença nos deve fazer ponderar . E para isso é necessário ter sentido a sua falta !!

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Obrigado “Capiteis de Abril”, obrigado Otelo  pela tua estratégia sem falhas !

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