8 Maio 2021, Sábado
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Solidariedade versus egoísmo na União Europeia

Ao longo dos anos, foram várias as acções de solidariedade que temos visto serem praticadas pela União Europeia (UE). Aliás, toda a base da estrutura da UE assenta em princípios de solidariedade e entre-ajuda dos Estados-Membros, apenas dessa forma foi possível nascer uma União Europeia tão aberta entre si própria.

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O Espaço Schengen é a maior conquista e prova dessa mesma solidariedade entre os países. A União conseguiu algo que durante muitos anos parecia impossível: a paz entre tantos Estados.

Para um Estado prosperar é importante as relações que mantém com os demais, seja para trocas comerciais, turismo, entreajuda quando necessário. São várias as razões pelas quais um país dificilmente conseguiria funcionar sozinho.

No último ano temos sido surpreendidos com a nova realidade da covid-19. É de conhecimento geral e constantemente noticiado nos media as dificuldades que cada país sentiu, seja a nível da medicina, com a falta de médicos, enfermeiros, ventiladores, outros tipos de materiais, seja com a falta de recursos económicos para fazer frente à grave crise financeira que se instalou.

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Durante este período surgiram muitos exemplos de solidariedade, mas também existiu egoísmo por parte de alguns Estados.

Realçando o caso português, logo no início deste ano de 2021, sentimos bastante na pele as consequências da pandemia: os hospitais não tinham capacidade para tratar os quase 16 mil casos diários que perduraram por semanas e é de destacar a ajuda que recebemos do estrangeiro, por exemplo as equipas médicas enviadas pela Alemanha, França e Luxemburgo.

Numa altura em que os cuidados médicos são essenciais à vida humana, e como pudemos constatar, também escassos, muitos países sentiram a necessidade de enviar doentes para outros hospitais estrangeiros. No ano passado vimos isso a acontecer a alguns Estados-membros, como a Itália, mas o nosso país também se serviu desta ajuda, oferecida pela Áustria.

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Foi realmente inspirador ver que durante uma grave crise a nível mundial, onde todos os países sofreram bastante, nenhum Estado conseguiu escapar ileso à covid-19, uns melhores, outros piores, mas todos acabaram por sentir os efeitos colaterais da realidade que se espalhou pelo mundo, e mesmo assim o espírito de amizade e de ajuda não morreu e potencializou-se durante este último ano.

Outros grandes exemplos de solidariedade que já se têm vindo a manifestar há uns anos, são as missões de ajuda que a Europa tem efectuada nos países mais pobres, por exemplo no continente africano. É bastante importante para a Europa a estabilização de África, dessa forma tem-se vindo a executar várias missões contra os ataques terroristas, para que exista uma capacidade de segurança e defesa destes países. Ou, os fundos de solidariedade criados em 2002, na sequência das cheias que assolaram a Europa Central e qualquer Estado-Membro pode acionar perante as suas instituições.

Desta forma, a União Europeia pretende mostrar a sua solidariedade para com os países membros afectados por qualquer catástrofe natural, como aliás está previsto no artigo 222.º do Tratado de Funcionamento da União Europeia.

Infelizmente, a onda de cooperação não conseguiu encobrir algum egoísmo dentro da Europa unida, como o caso dos refugiados. A União Europeia mantém a crença da ajuda e da abertura que os europeus devem ter perante o mundo, no entanto as coisas não são assim tão simples. Visto que muitas pessoas são completamente contra as migrações dos refugiados pois acreditam que poderão existir terroristas no meio deles, ou até mesmo que podem destabilizar o mercado de trabalho, o que faz com que exista um grande estigma do povo relativamente a estas pessoas que apenas precisam de ajuda para sobreviver. A questão dos refugiados é intitulada de “a vergonha da Europa”. Ora, assentando as bases da União, em solidariedade e entreajuda dos Estados, esperava-se que os países fossem mais disponíveis a aceitar os refugiados.

Outra polémica que tem sido muito debatida é a Bazuca Europeia, que basicamente consiste num empréstimo conjunto dos Estados-Membros, que visa ajudar os países mais enfraquecidos economicamente devido à pandemia. No entanto existem países mais abastados que se opuseram pois não queriam ficar responsáveis por uma dívida de um empréstimo do qual não precisavam. Isto agravou-se quando, na Alemanha, existiu a tentativa de uma providência cautelar para impedir que o país ratificasse a bazuca, ficando a mesma bloqueada pelo Tribunal Constitucional Alemão durante uns dias até este dar luz verde. Será isto egoísmo ou estarão os países ricos no seu direito de não quererem pertencer ao fundo de recuperação da Europa? A verdade é que estas nações não necessitam do dinheiro e estarão, na mesma, forçados a ser responsáveis pelo empréstimo, juntamente com os Estados-Membros com mais dificuldades que já mantinham uma grande dívida.

Observemos também o Brexit: o Reino Unido queria tirar proveito de todas as coisas boas que há em pertencer à União Europeia, mas era muito pouco solidário com os restantes países companheiros. Por exemplo, toda a Europa está a receber os refugiados, no entanto os britânicos sempre votaram contra os migrantes porque acreditavam que estes representavam uma ameaça ao seu sistema de segurança social e nunca esconderam a sua insatisfação com a Europa nesse aspecto. Os britânicos também usaram na sua campanha para o Brexit o facto de terem de enviar dinheiro para Bruxelas.

Finalizando, sendo a União Europeia tão grande e abrangendo tantos países, é normal que nem sempre tudo corra de modo perfeito. É como uma relação com os seus altos e baixos, apesar de ter existido tanto egoísmo ao longo dos anos, especialmente durante a pandemia quando os países se isolaram muito e resolveram fechar as fronteiras, existiu, também, uma grande onda de solidariedade que tem vindo a crescer na Europa, principalmente no povo mais jovem que cada vez estamos mais abertos ao mundo.

É importante que as pessoas continuem a estender a mão ao próximo, neste período conturbado aprendemos exatamente isso e, também, que a entreajuda só nos fortalece e que os Estados-Membros deveriam ajudar mais, sem pensar tantos nos interesses financeiros.

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