20 Janeiro 2022, Quinta-feira
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Racismo, xenofobia, discriminação

Tenho orgulho na História de Portugal, que estudei e aprendi e ensinei com a curiosidade, o interesse e o prazer que se leem, aprendem e ensinam as histórias da História, que nos encantam e empolgam ou entristecem e revoltam – porque os passados dos povos, plenos de heroicidades e glórias, honras e altruísmos, estão manchados de cobardias e derrotas, misérias e indignidades.

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Querem fazer contas com a História, sentá-la no banco dos réus, humilhá-la, condená-la, açoitá-la, levá-la à polé. A sanha justiceira corre mundo, e já a temos entre nós. Este mal-estar, porque a História, querem ensinar-nos, não tem que ser analisada à luz da época em que os acontecimentos decorreram. É o olhar de hoje, o agora que deverá ser o avaliador (e punidor) dos acontecimentos históricos, por mais remotos que sejam. E vá de querer livros na fogueira; de exigir que feitos e factos sejam apagados dos manuais e banidos do ensino nas escolas; de vociferar contra nomes de ruas, avenidas, praças e largos; de pichar, partir ou derribar estátuas; de arrasar monumentos; de reivindicar alterações ridículas de lugares; de destruir patrimónios nacionais e da Humanidade; de querer apagar uma parte da memória coletiva e da identidade das maiorias dos povos. Tudo a gosto e ao arbítrio de minorias. À talibã.

Ai dos subjugados nas guerras das Antiguidades Pré-Clássica e Clássica, e desde que o homem começou a defender o seu grupo e a atacar os demais, massacrando-os e reduzindo-os à escravidão. Ai dos vencidos nas lutas ancestrais entre tribos e etnias, massacrados, escravizados e trocados como coisas. Ai dos portugueses aprisionados nas costas lusas, nas áfricas e nos orientes, vendidos nas praças do comércio esclavagista ou massacrados, quando não comidos como carne de se comer. E ai de todos nós, habitantes da Terra e descendentes daqueles desgraçados, se nos passasse pela cabeça a vingança e os reparos pelos sofrimentos que padeceram. É tudo História, memória que envergonha a Humanidade, ignomínias da nossa espécie, consequências da perversidade humana desde que a maldade e a ganância toldaram a cabeça dos homens, centenas, milhares de anos de passado. Mas que interessa? Vamos lá apagar e arrasar, que é assim que se reparam e esquecem os males que se fizeram. Vamos lá desenterrar fantasmas, dando azo e asas a ódios e a vinganças, que é com vinganças e ódios que se conquistam a igualdade de oportunidades, o bem-estar económico-social, a concórdia e a paz nas sociedades, e se combatem o racismo, a xenofobia e toda a casta de intolerâncias e discriminações e injustiças que existem neste mundo.

O racismo, a xenofobia, as discriminações não se erradicam com apagamentos e arrasos, e o acirrar de ódios e vinganças. Combatem-se, numa luta árdua, demorada e de fracassos (porque as mentalidades são do que há de mais casmurro e reacionário), com educação, com ensino e informação contextualizados, com a verdade histórica dos factos conhecidos ensinada sem escamoteações nem revisionismos (e na pedagogia de que os erros e as tragédias não deverão repetir-se), com zelo militante da Justiça e justa condenação do que houver a condenar e de quem merecer o castigo. Se há falhas nesses particulares (e é uma evidência que as há), exijamos as necessárias correções e os indispensáveis reparos.

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A luta por melhores condições de vida e dignidade é uma batalha de todos os desapossados, explorados, segregados, discriminados, oprimidos, injustiçados – a maioria esmagadora da população –, uma batalha contra inimigos que não têm cor, nem credo, nem sexo, nem idade, nem ideologia, uma luta que cabe aos interessados, mas também a qualquer ser humano justo e que se preze.

Portugal, um país racista e xenófobo? Não é – só se for para uns quantos espertalhaços, a quem o país possibilitou os privilégios e o palco de que gozam, e lhes permite a divulgação de baboseiras instigadoras da multiplicação de intolerâncias. Há racismo e racistas em Portugal, pois há. Qual é o cantinho do mundo onde os não haja? Há cá racistas e xenófobos e discriminadores e manientos de mil intolerâncias. Olha a novidade! Qual o povo isento deles? Todos os sinais de racismo, xenofobia, discriminação, todos, deverão ser combatidos – venham de que programas e retóricas de partidos, grupelhos ou movimentos, de que provocadores travestidos de ativistas, de que figuras, figurinhas ou figurões, de que tons de pele, de que racistas, xenófobos ou discriminadores, explícitos ou encapados, vierem.

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