10 Maio 2021, Segunda-feira
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Pe. Adalberto – Um coerente ministro da Igreja Católica

No passado dia 6, o Pe. Adalberto Saraiva deixou este mundo. Partiu com 92 anos de idade, 56 dos quais como pároco da Igreja da Comporta. A grande maioria dos leitores não conheceram esta pessoa que, por este meio, pretendo homenagear, testemunhando assim, publicamente, a estima recíproca que temos um pelo outro. Uso, propositadamente, o presente como tempo verbal, pois a morte não tem força para matar este tipo de sentimentos. Também para tornar mais ampla a minha gratidão pelo respeito e afabilidade com que sempre me tratou. Não esquecerei a amável manifestação do seu reconhecimento pela minha dedicação à Diocese de Setúbal, após a minha saída da respetiva Cáritas Diocesana. Enviou-me um SMS a dizer simplesmente «subscrevo, na íntegra, o que o Pe. Constantino escreveu no “O Setubalense” a teu respeito».

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Mas o mais importante a relevar na missão sacerdotal do Pe. Adalberto, quanto a mim, foi a capacidade pastoral de se ir adaptando aos sinais dos tempos sem beliscar a sua identidade como cristão e ministro da Igreja Católica. Sempre muito presente na vida da Diocese, cumprindo sempre os seus deveres mesmo que isso implicasse deslocações incómodas como eram as travessias do Sado em qualquer estação do ano e a utilização de transportes públicos a horas, por vezes desajustadas, para participar nos mais variados encontros. Em pleno Processo Revolucionário Em Curso (PREC) eram conhecidos os dichotes e até insultos de que foi alvo nestas deslocações, por nunca ter tirado o cabeção (colarinho branco que os padres costumam usar em volta do pescoço). Não é que considere que seja o hábito a fazer o monge, nem é um assunto relevante para mim, mas quero sublinhar a sua corajosa coerência.

Pastoralmente, animou uma comunidade cristã pequena, mas nunca se deixou de interessar pelos anseios e esperanças de todos. Construiu um Centro Social Paroquial para apoiar as famílias na ocupação das crianças e nas responsabilidades que estas células fundamentais tinham no crescimento integral dos seus filhos e filhas. Algumas vezes me procurou sempre que surgia alguma dúvida no que poderia dizer respeito à qualidade dos serviços prestados às crianças e nas condições justas de trabalho aos assalariados. Quando surgiu o Pré-escolar e, na zona, se começou a acentuar a baixa da natalidade, logo se preocupou com o futuro da instituição e, com muita simplicidade e flexibilidade, se abriu a novas possibilidades de respostas sociais. É verdade que tinha um grupinho pequeno, mas muito dedicado e fiel, que o apoiava.

Sempre demonstrava as suas convicções com desassombro, sem descartar quem pensasse diferente dele.

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Pe. Adalberto não o esquecerei. Sempre que necessário, tenho a certeza que defenderá as minhas causas justas diante de Deus.

Eugenio Fonseca
Presidente da Cáritas Portuguesa
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