13 Agosto 2022, Sábado
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Grato ao Café!

Diz sobre ele a Wikipédia, a enciclopédia da internet: “Uma lenda conta que um pastor chamado Kaldi, observou que os seus carneiros ficavam saltitantes e conseguiam percorrer grandes distâncias ao comer frutos e folhas do cafeeiro. Ele experimentou os frutos e sentiu maior vivacidade. Um monge da região, informado sobre o facto, começou a utilizar uma infusão de frutos, para resistir ao sono enquanto orava.”

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Seja qual for a beleza da sua história, eu, o que sei é que o adoro! Admiro e respeito!
Da mais simples, á mais sofisticada refeição, ele está lá. No fim, ou seja, no topo da refeição e como cereja no bolo. Acompanhado por vezes, mais ou menos bem, ele aceita quase todos e trata o simples bagaço, como trata o mais requintado conhaque. E tal como fez com a refeição, não olha a preço ou complexidade e seja banquete ou simples lanche, termina qualquer uma com a mesma dignidade, fazendo-se gostoso, confortante e dignificando o que o acompanha.

É democrata!

Indubitavelmente democrata! E por isso o admiro!

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E respeito! Respeito-o na ceia de Natal, respeito-o na Páscoa e até no Carnaval, na sardinhada de S.to António, na cura da embriaguez, na conversa de amigos, reunião de negócios, no fim do contrato, no encontro de amigos ou de Amor. Ele está lá! Sossega, apazigua, mais ou menos quente, mais ou menos forte, pingado, tingido, curto ou cheio, com ou sem açúcar. Com ele, pode-se sempre contar.

Esteve no batizado, no casamento e até talvez, no divorcio e por favor, sirvam-no no meu funeral, pois ele, merece-o. Feliz entre risos, anedotas ou no fim da lagrima, eu lembro-o comigo desde sempre. Ou quase! Penso, que o herdei da Coca-cola, quando no rosto comecei a ter pelos e as conversas no café, junto ao liceu, tendiam a ser mais adultas que a idade. Estudou comigo, divertiu-se com a malta, foi motivo, foi pretexto e foi desculpa, e foi pau de cabeleira na esplanada do jardim. Dizem-no terapêutico. Energético e pleno de propriedades. Eu, adoro-o porque sabe bem! Dá-me prazer! Simples assim!

E é porque o admiro, respeito e adoro, que em minha casa o coloco em grão no moinho e como primeira oferta, recebo dele o seu odor ao moer. Permito-me na quantidade, ao intenso que o pretendo, conforme a hora do dia e circunstância, e escaldo a chávena, (gosto-o bem quente), e sento-me sempre para o beber e saborear. Depois, devolvo-lhe o prazer lavando com gosto, como fim de um ritual, a cuvete e a chávena, sentido na boca e com pena, o esvair do seu sabor no tempo.

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Perdoe-se-me assim a sociedade moderna, apressada, comichosa e comodista, mas; entalá-lo numa caixinha de folha de alumínio, escondendo-lhe o aroma do pó, declinando o prazer do preparo e apenas, para não sujar as pontas dos dedos, ou demorar um par de minutos mais. É trata-lo como a uma bebida qualquer em pacote. Das que: “…basta juntar água.”. E sinto-me ingrato, ofensivo mesmo, pois ele, é tudo menos uma bebida qualquer.
Alem de que, e eu decidira não me referir, por tão obvio, dizem as marcas, que o vendem em vinte unidades ao preço que pago e com qualidade, o quilo, que me dá cem vezes prazer, que são recicláveis. Pode ser! Mas sendo reciclar, o reaproveitar, diminuído o seu peso ambiental, evitá-lo por tão pouco esforço, faria mais sentido. Digo eu! É que, não confundamos progresso, com negócio!

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António Guerreiro
Autor literário
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