27 Janeiro 2022, Quinta-feira
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Tempos conturbados e de contradições

Os dias que correm, têm sido marcados por acontecimentos da máxima relevância.
Foram as eleições nos EUA, sobre as quais já nos pronunciámos a semana passada. E, tal como previmos, tratando-se do país com a importância de que se trata, a prolongada indecisão sobre os resultados finais, pode ter consequências imprevisíveis tanto a nível interno , como no plano internacional.

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No Brasil, Bolsonaro, nitidamente agastado com a quase certa substituição do seu amigo Trump, faz veladas e indiretas ameaças a Joe Biden, por este criticar a contínua destruição da Amazónia durante o seu mandato. E, apesar da pandemia, devido à sua irresponsabilidade, já ter causado mais de 100 mil mortos, desce ainda mais o nível do discurso, exortando os seus compatriotas a que não sejam maricas, e enfrentem, sem temor, a mesma. “Se todos temos de morrer um dia…”

Noutro país que também tanto nos diz, Moçambique, a braços com ações terroristas na província de Cabo Delgado que já causaram mais de mil mortos e milhares de refugiados. A ultima das quais, daqueles fanáticos criminosos com alegadas ligações ao famigerado e auto-denominado Estado Islâmico, depois de atacarem uma povoação, prenderam 50 pessoas, homens mulheres e crianças, levaram-nas para um campo de futebol e degolaram-nas. O Secretário-Geral da ONU ficou consternado. Mas, ao contrário de outros atentados na Europa de muito menor dimensão, que chefes de Estado e de Governo e a comunicação social internacional e nacional lhes deu o devido relevo, não temos visto nem vemos agora, o mesmo. Uma vergonha, esta dualidade de critérios.

De positivo, foi a reposição da legalidade democrática na Bolívia, tendo o seu povo afirmado-a em eleições. No Chile, também nas urnas, foi enterrada a Constituição da época do golpista Pinochet. E ainda, sob a égide da Rússia e a colaboração do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, o fim das hostilidades em Nagorno-Karabakh, fruto de um acordo assinado entre a Arménia e o Azerbaijão.

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Por cá, como em quase todo o mundo, continuamos sob os feitos desastrosos da omnipresente pandemia. Dizer a propósito; o mesmo Governo que foi tão benevolente com o que se passou no Algarve com a fórmula 1, na Nazaré com o pessoal todo ao monte e fé em Deus a ver as ondas, que não tentou evitar outros ajuntamentos como aqui já temos referido; na praia, à porta de escolas, etc. e que até autorizou manifestações de desmascarados e bem juntos contra as normas da DGS, obriga-nos agora, de novo, ficar em casa logo nos dias que melhor podíamos dar uma voltinha para desanuviar, comer qualquer coisa fora, ou assistir a um evento cultural, sábados e domingos. Durante a semana, somos obrigados a andar metidos em transportes públicos, tantas vezes, à cunha.

Tudo isto, evidentemente, agravando a situação já dramática, do pessoal da restauração e da cultura.

Mas que daqui não se infira que discordamos quão fundamental é conter o vírus! De maneira nenhuma! O que não percebemos, são estas contradições.

Comentários

Francisco Ramalho
Professor, Corroios
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