30 Novembro 2021, Terça-feira
- PUB -
InícioOpiniãoVitória que futuro?

Vitória que futuro?

Começo por agradecer ao Senhor Director a disponibilidade para publicar estas breves reflexões.

- PUB -

O Vitória atravessa uma das piores crises da sua longa e brilhante e centenária história.
A criação da SAD, uma solução encontrada pelo poder politico para gerir o futebol profissional na sua vertente “negócio” trouxe a muitos clubes e em especial ao Vitória uma torrente de problemas e ilusões, causados pela impreparação, falta de competências e aproveitamentos pessoais, que consumiram e definharam o clube.

O Vitória nunca foi capaz de parar e perceber o que lhe estava a acontecer e deixou-se envolver pela voragem do dito “futebol negócio” que levou a confundir o clube com a sociedade anónima desportiva (SAD) como se fossem, e não são, a mesma coisa
Chegados a esta altura impõe-se uma análise fria e descomplexada da situação da SAD.

Na verdade a “descida aos infernos” que foi a despromoção aos campeonatos não profissionais, coloca na ordem do dia a cedência de parte do capital social da SAD.

- PUB -

E sobre isto sejamos claros, o Vitória, não pode,nem deve, continuar a pôr em risco a sua própria sobrevivência para tentar salvar a SAD, que sucumbirá naturalmente se não fôr encontrada uma solução, bastando referir que na presente época são necessários dois milhões e meio de euros, quando sabemos da inexistência de receitas suficientes.

Que solução?

Temos para nós que a maioria do capital social da SAD tem de ser cedido a terceiros, com cuidados e segurança, que impeçam o repetir da situação dramática de outros clubes, muitos deles, quase centenários.

- PUB -

Para isso, é essencial garantir:
– Que o equipamento e o emblema do Vitória têm de ser os constantes nos Estatutos do Clube;
– Que os jogos em casa se realizem obrigatoriamente no Estádio do Bonfim;
– Que a nomeação e destituição do(s) administrador(es) nomeados pelo Clube é feita pelos órgãos sociais do Vitória e não pelos accionistas da SAD;
– Que o investidor terá de honrar todos os compromissos e obrigações, designadamente garantindo (garantia real, garantia bancária etc.) o plano de pagamento do PER, as contribuições e impostos que não estejam incluídos neste, as despesas correntes com o seu funcionamento, designadamente pessoal, incluindo jogadores, equipas técnicas,deslocações, água, electricidade etc etc.;
– Que pela utilização do Estádio, ginásios e instalações do clube a SAD pagará uma compensação justa, que ousamos indicar de € 350.000,00/ano;
– Que a gestão da SAD é feita de forma profissional e competente, de acordo com altos valores de exigência para a rentabilização do “negócio futebol”, tendo e mantendo equipas competitivas;

Se este cenário não se verificar teremos de apresentar um novo plano aos credores, tendo em conta as especificidades do momento, que permitam viabilizar a SAD.
Aproveito para opinar sobre a insolvência e dissolução da SAD.

Uma solução destas deverá ser sempre negociada com os credores, não podendo esquecer, que os prazos de prescrição são muito dilatados e que a existência de dívidas a profissionais que a FIFA sancione, nos impede de inscrever qualquer equipa de futebol, nas diversas modalidades e escalões( futsal,feminino..)

Julgar que defender a insolvência da SAD, de forma imediata e fácil, não é, nem nunca será uma solução.

Quanto ao Clube

O Vitória por aquilo que atrás dissemos está refém de dívidas de valor absurdo relacionadas, entre outros, com o famigerado Vale da Rosa, designadamente à Parvalorem (cerca de 13 milhões de euros) e a uma entidade bancária. Se em relação a esta Município já encontrou uma solução, a questão da Parvalorem está em aberto e não terá solução se o Município não conseguir inverter esta situação, sabendo nós, do empenho e cuidado que a Câmara Municipal,tem, no encontrar de soluções.

Resolvidas estas duas questões essenciais, temos todos de encontrar soluções para pagar o passivo do clube, porque sendo nós gente honrada, temos obrigação de tudo fazer para cumprir as nossas obrigações.

Vai ser fácil ? NÃO

Mas não podemos desistir da reestruturação profunda do modo de funcionamento do Clube, por meios democráticos e participativos, envolvendo todos os associados e os Setubalenses, chamando-os para a tarefa de salvar o Vitória, que só pode ser conseguida se, pelo menos, duplicarmos o número de sócios, que cumpram as suas obrigações, definindo e regulamentando o sistema de fixação do valor da quota, em função da categoria de sócio e não da ocupação de lugares no Estádio.

Os sócios que não gostam de futebol, merecem o mesmo respeito que os demais, porque é essencial defender e consolidar o ecletismo do Vitória.

Entendi escrever esta reflexão a título pessoal, antes da entrega de qualquer candidatura, tanto mais que não integrarei ou participarei na apresentação de qualquer candidatura, embora nºão desista do Vitória e designadamente da necessária alteração dos Estatutos.
Não me conformo, nem aceito a posição simplista de insolver a SAD e fundar outro clube.
O Vitória pela sua grandeza e história vai sobreviver e levantar-se , mas se o não conseguir terá de saber morrer de pé.

Tudo quanto escrevi, só a mim me responsabiliza.

Setúbal, 8 de Outubro de 2020
Cândido Casimiro – Sócio nº 1530

 

 

[Fancy_Facebook_Comments language="pt_PT"]
- PUB -

Mais populares

Dirigir o Vitória Futebol Clube no feminino: as mulheres nos actuais órgãos sociais do clube sadino

Sara Ribeiro, Ana Cruz, Dulce Soeiro e Helena Parreira partilham as suas vivências no clube, cujo regresso à I Liga tanto anseiam   Quando questionadas sobre...

António Costa anuncia que Portugal vai pedir à União Europeia que Península de Setúbal passe a ser uma NUT II

O primeiro-ministro diz que a Península de Setúbal está a ser fortemente penalizada por estar integrada na estrutura nominal da AML  

Volkswagen anuncia novo investimento de 500 milhões na Autoeuropa nos próximos cinco anos

Valor vai ser aplicado "em produto, equipamento e infra-estruturas", explicou Alexander Seitz
- PUB -