27 Janeiro 2022, Quinta-feira
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Afinal, o que é que nos une?

Nós, portugueses, temos uma admirável herança de unidade. Mas do que falo hoje aqui é do que mobiliza as pessoas em torno de um objetivo. É uma pergunta tão simples quanto complexa. A pandemia mudou o mundo e a resposta não lhe pode ser alheia. Deu visibilidade a fraquezas sistémicas e mostrou o melhor e o pior da humanidade. Houve momentos em que assistimos ao egoísmo, mas também é certo que houve muitos exemplos de solidariedade e de muita coragem, que mostram que, enquanto humanidade, somos capazes de mais e melhor. Face à ansiedade e ao medo, conseguimos, ainda assim, manter a capacidade de empatia e de solidariedade.

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Temos já seis meses de pandemia e já sentimos cansaço. Temos tido também – e bem – uma reflexão teórica profunda sobre o que podemos aprender com a pandemia. A outro nível, temos mesmo uma vaga abundante de epifanias mediáticas dos gurus de rede social e dos sempre presentes “especialistas de turno” … Sabem tudo sobre tudo e sobre tudo opinam e comentam, sem ensinar verdadeiramente nada sobre nada.

Mas é preciso não descurar a dimensão prática – da vida e do quotidiano das pessoas. O mundo já estava a mudar mesmo antes da pandemia. O novo recurso argumentativo é a fake news e a calúnia, já sabemos. Um exemplo é a acusação ao Ministério da Educação de “doutrinação ideológica nas escolas”. Quem a abaixo assinou não conseguiu mostrar evidências da mesma. Evidente, ficou só o incómodo que as questões de género levantam ainda à direita. Mas a leitura de clickbait e o boato sensacionalista explicam tudo? Não. Qual é o porquê do ressentimento de alguns com a democracia?

Há também o aproveitamento político. O exemplo recente é a indignação da direita com a Festa do Avante! deste ano. A DGS apenas aplicou, a um conjunto de atividades, as mesmas regras aplicadas a atividades similares realizadas noutro contexto, como a restauração, os concertos e os transportes públicos. Porquê proibir ali e só ali? É irresponsável querer “minar” sobretudo agora o nosso bocadinho de OMS, a quem calhou a tarefa ingrata de rever todos os nossos comportamentos, para aconselhar e explicar.
As fronteiras ideológicas dos partidos não têm de ser barreiras intransponíveis. Não o são quando há diálogo e busca de convergência. É claro que há diferenças. No distrito de Setúbal, por exemplo, o Partido Socialista não abdicará de um projeto político de dimensão e de uma política autárquica moderna, a nível da habitação e das condições de competitividade das infraestruturas, portuárias e não só. É preciso facilitar a vida ao tecido produtivo e com perfil de exportação. É urgente desbloquear.

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Há um verso de uma canção de Rui Veloso, que diz assim: “muito mais é o que nos une, que aquilo que nos separa”. Não é uma resposta à pergunta que fiz no título, mas é um começo. É que o nosso “muito mais” são, outra vez, os portugueses, Portugal e a sua recuperação.

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