18 Maio 2022, Quarta-feira
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Como iremos sair disto?

Mesmo que nos queiramos isolar para aliviar a nossa ansiedade ou o nosso medo, as televisões, as rádios e a imprensa escrita não o permitem pois parece que nada mais de importante se passa pelo mundo senão a pandemia do COVID-19. Parece que a guerra na Síria, a tragédia dos campos de refugiados na Grécia, a agressão à mãe Terra, a má distribuição das riquezas, a pobreza e as muitas doenças que enchiam há uns dois meses as urgências dos nossos hospitais, tudo está resolvido por golpe de mágica.

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E agora o importante é sabermos ao minuto quantas pessoas em qualquer ponto do planeta adoece com o coronovirus, quantas análises são feitas em Londres ou em Tokio e quantas pessoas morrem por dia ou mesmo por minuto em devaneios de estatística. Por amor de Deus não pensem que não considero a pandemia que assola todo mundo, verdadeiramente a nível planetário, uma tragédia nunca vivida por nenhum dos viventes, mesmo nonagenários como eu. Eu sei que estamos atravessando uma crise única nos nossos tempos e que ninguém calcula quando pode ter fim à vista. Eu sei que nenhum serviço de saúde estava preparado para lhe dar resposta imediata. Eu sei que vão morrer milhares (milhões?) de pessoas, em especial os de maior idade.

E também vejo o tremendo esforço que os governos, os trabalhadores da saúde, as forças da ordem, os trabalhadores essenciais à nossa subsistência, os dos transportes e mais alguns estão sacrificados de trabalho perigoso e quase sem descanso. E sinto na pele o desgaste psicológico de estar isolado por nem sei quanto tempo, metido em casa com o tal massacre dos órgãos de informação – mas sei que temos de passar da simples solidariedade à co-responsabilidade pelo êxito duma solução. Eu sei e sinto tudo isso mas preocupa-me mais, pensando nos filhos e netos, como iremos sair disto, que mundo diferente viremos a ter, pois não tenhamos dúvidas que nada vai ficar como era.

Medidas próprias (e necessárias) do “estado de sítio” podem ser uma tentação e uma ameaça à democracia. As consequências sociais serão inevitavelmente profundas com desemprego, falências e mais pobreza, pois as medidas que se desenham para salvar as empresas e o emprego dificilmente impedem o desastre da multidão de trabalhadores dos pequenos negócios que nem micro empresas se podem chamar, dos trabalhadores independentes e de muitas microempresas – são medidas próprias da sociedade capitalista e globalizada em que estamos vivendo há décadas.

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É que na realidade é bem difícil combater ao mesmo tempo a grave ameaça à saúde e o descalabro económico. Há quem proponha para minorar o desastre social a injeção de “dinheiro vivo” (a criação dum “rendimento básico incondicional de emergência”) e verbas a fundo perdido – empréstimos adiados para as calendas gregas só adiam para muitas médias e pequenas empresas o seu “afogamento”.

Não critico os esforços que os governos e as instâncias financeiras internacionais estão fazendo injetando capitais avultados nas nossas economias, mas passam ao lado duma larga maioria da nossa sociedade. E a nível mundial com loucos como Trump, Bolsonaro ou presidente da China as esperanças de soluções credíveis estão fora do nosso horizonte. E aqui pela Europa sinto toques a rebate pela segurança da União Europeia onde alguns países não dão mostras de solidariedade, vendo ao longe o desmembramento duma das mais bonitas e úteis iniciativas politico-sociais alguma vez realizada. Corremos o risco de termos um mundo em conflito com forças e problemas novos.

E não esqueçamos que temos sido nós homens – os seres mais inteligentes – que temos provocado imensos desequilíbrios no nosso planeta, na sua flora e fauna. Temos esquecidos que este equilíbrio é constituído, alem do homem, por milhares de espécies vegetais e animais, entre estes os micróbios e….os vírus – e de muitos deles não podemos prescindir! E não esqueçamos que não somos imortais e que começamos a morrer logo após o nosso nascimento – mas temos um horror à morte que é um mistério da nossa existência!!!!

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