Corrida à Lua

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Carlos A. Cupeto -Escola de Ciências e Tecnologia
Universidade de Évora

 

A efeméride dos 50 anos dos primeiros passos da humanidade na Lua trouxe o tema ao quotidiano, mas não só, foi muito mais que isso. Durante anos, ninguém falou na coisa e, num repente, aqui vai disto – até eu escrevo. Cinquenta anos depois, verdadeiramente, em que se traduziu esse passo de gigante de Armstrong? Tenho alguma dificuldade em encontrar uma resposta que me contente. Se a humanidade é isto que hoje vemos,  se Armstrong, não tivesse dado esse passo gigante onde estaríamos hoje? O que teríamos perdido? O que ganhámos? Estaríamos ainda pior? Os oceanos estavam ainda mais contaminados? Havia mais fome e desigualdades?  Para que serve a anunciada corrida à lua? Além da necessidade de procurar recursos que nos vão faltando por cá para este modo de vida, verdadeiramente primitivo, que vamos lá fazer? Os números em causa, o investimento que a nova epopeia exige, são qualquer coisa de absurdo que nenhum comum murtal consegue entender e que por isso não vale a pena aqui escrever.  O que por aí leio apresenta a questão quase como se fosse uma corrida: quem chega lá primeiro, Estados Unidos, Rússia ou China? Será esta a grande motivação? E há 50 anos? No essencial, “ao celebrar este dia histórico, tenho a opção de acreditar que qualquer passo consciente que dou é para o desenvolvimento integral do meu próprio ser e de toda a humanidade”? Se não for assim, vale a pena? O que escrevo é, provavelmente, muito básico para o gigantismo da questão. Mas a verdade é que podemos ir à Lua todos os meses e ficar tudo na mesma, ou pior, se o “Homem comum” não mudar. Tiago Hormigo, engenheiro aeroespacial e co-fundador da empresa portuguesa Spin.Works, escreve a este propósito: “é uma aposta arriscada, com potenciais ganhos marginais  e potenciais perdas significativas. Valerá a pena?” Boas férias a quem as tiver.

 

 

PS – Por cá ficamo-nos pelo Aeroporto no Montijo, relevante, significativo e pateta é o Estudo de Impacte Ambiental  reconhecer que “como qualquer outro projeto desta dimensão” existem “impactes significativos no ambiente”… “aponta diversas ameaças para a avifauna e efeitos negativos sobre a saúde da população por causa do ruído.” Assim está este mundo e se estraga o nosso dinheiro em estudos de coisa nenhuma que servem para nada e cujas medidas de minimização são, obviamente, inconsequentes.

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