23 Maio 2022, Segunda-feira
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Autoestrada portuguesa com certeza

As autoestradas são grande parte da razão da nossa enorme dívida – imagine-se a terceira maior divida da zona Euro, quem diria – uma recuperação tão boa e somos os terceiros piores. Construímos muitas autoestradas porque são infraestruturas que exigem muito dinheiro e de onde é muito fácil “tirar” uns trocos. A enorme fatura fica ainda muito maior quando a autoestrada não é utilizada porque as portagens são absurdamente altas. A não utilização da autoestrada tem custos económicos brutais diretos e indiretos, por exemplo em acidentes, risco e má qualidade de vida.

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Na prática, e objetivamente, autoestrada em Portugal é sinónimo de estupidez, provavelmente a pior das características humanas. Com as autoestradas o país todo perde, ao contrário do que seria natural. Pagamos cara a sua construção e cara a sua não utilização, um perfeito exemplo de estupidez. Como qualquer outra infraestrutura a sua rentabilidade é tanto maior quanto maior for a sua utilização. Isto é, uma autoestrada será tanto mais rentável quanto mais tráfego tiver. Refiro-me à sustentabilidade e riqueza do país, à rentabilidade dos sectores económicos e à qualidade de vida dos cidadãos. Quanto vale o tempo de todos os utilizadores (empresas, cidadãos) que optam pelas estradas nacionais em vez da autoestrada, infraestrutura que ali está para ser “abusivamente” usada por todos?

 

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Quanto perde o país em vidas humanas, em emissões de gases, em energia, em produtividade…? No limite, quanto pagamos mais em impostos para manter as autoestradas sem veículos? Isto é o essencial da equação: quanto custa não usar as autoestradas? Algum país seria viável se construísse escolas para depois não as usar? Vale a pena estudar o efeito real de baixar o custo das portagens. Entre o zero e o custo atual, que tem aumentado, há um valor certo para todos – aquele que viabiliza a utilização da autoestrada.

 

Enquanto houver em Portugal um quilómetro de autoestrada que não seja utilizado pelo custo incomportável das portagens, bem pode António Costa encher a boca com eficiência energética, descarbonização, luta contra as alterações climáticas, aposta nos transportes públicos, economia circular, ciclovias, etc., etc, que ninguém com um pouco de lucidez o acredita.

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A A6 e a Estrada Nacional nº4 que ligam Lisboa, Setúbal, Sines, e tudo à volta à Europa, constituem um excelente exemplo. A autoestrada está vazia enquanto a EN abarrota de trânsito que não lhe pertence, que o digam Vendas Novas ou Montemor o Novo.

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Carlos Cupeto
Universidade de Évora
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