1 Dezembro 2021, Quarta-feira
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Há tanto para fazer, meu Deus!

Este título é uma autêntica provocação. Em pleno mês de férias, falar em trabalho?!…

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Nós sabemos que trabalhar é muito mais do que executar diariamente as tarefas inerentes a uma profissão.

Mas mesmo com rotinas de esforço a cumprir, férias são férias. Com saúde e algum dinheiro, claro. É nesta altura que o tempo é um pouco mais nosso amigo.

Contudo, há pessoas que vão de férias e não descansam nada. Ou porque ficam em casa para aproveitar o tempo a pintar as divisões e resolver assuntos pendentes… Ou porque vão à praia, mas sofrem imenso com o estacionamento… Ou porque juntam muitos amigos e não param um momento… Ou simplesmente não fazem nada de novo, porque não podem, ainda que estejam de férias, o que é algo frustrante…

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O subsídio de férias sempre ajuda a aguentar…

Este ano é mais um que conta com um clima bom, um país em festa e a esperança que não morre no amanhã (salvo problemas sérios bem conhecidos). Moderação e ponderação, aproveitando os momentos de vontades e possibilidades.

Os senhores problemas não se compadecem com o calendário de férias. E por isso as patroas diligências para os resolver não podem afrouxar (demasiado) só porque agosto é de férias.

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Em cada dia uma aula de matemática, somatório de horas boas, menos boas, rotineiras…

Organismos em agosto (ou noutro período de férias) que ficam mais predispostos para o descanso, a serenidade, o convívio, o bom humor, o conforto, a amizade.

E há tanto para fazer, meu Deus, no campo da amizade.

Amizade, essa palavra bonita que precisa de ser regada 24 horas com as cores do arco-íris para ficar à prova de malandrices e granizos violentos.

Olhamo-nos de vez em quando, seres humanos, e vemos desfocadamente como poços (adultos com 60% a 75% de água) cheios de virtudes e limitações q.b.. E temos, felizmente, a imaginação por companhia de braço dado com o ilustre ego, mais ou menos no epicentro de si-mesmo, qual protagonista das aventuras mais inventivas que faz as delícias dos mais traquinas.

Quando nos sentamos e conversamos, deliberamos quando compreendemos que todos somos autores e personagens de muitas peripécias.

E damo-nos conta da história diária a escrever-se ao sabor de cada vida.

Se podemos, tomamos a dianteira e teclamos alguns (bons…?) momentos a bel-prazer, segundo o nosso potencial de vivências e competências. Achamo-nos narradores participantes.

Mas muitas vezes os acontecimentos vão-se desenrolando pela mão de um autor alheio (o destino?) que não se compadece com todas as vontadinhas da(s) sua(s) personagen(s) e delibera a cada passo reformulações na estrutura diegética da narrativa, escolhendo-se a si mesmo para o narrador heterodiegético.

Vidas. Cada uma numa corrente alternada que para no fim e ao cabo grita: – É imperativo a dignificação da amizade com gestos de ternura, diálogo, bem-estar e aprendizagem mútua.

É a voz da velhice humana que se quer consentida e com sentido.

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Rosa Duarte
Mestre em Estudos Portugueses
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