20 Agosto 2022, Sábado
- PUB -
InícioOpiniãoA igualdade de género

A igualdade de género

De vez em quando surgem polémicas na comunicação social sobre a igualdade de género a partir do que, na verdade, não existe, a desigualdade de género. A mais recente rebentou por estarem à venda livros de exercícios destinados a rapazes e outros a raparigas. Caiu «o Carmo e a Trindade», quando um ministro recomendou à respetiva editora que os livros fossem retirados da venda ao público, como se na Constituição e na linguagem (hipócrita?) de governantes de todos os quadrantes políticos não fosse referido que o Estado deve garantir a igualdade de género. Neste caso, se alguma crítica se deve fazer ao ministro é a de não divulgar o artigo da Constituição que suporta a sua decisão, já que tantos letrados demonstraram desconhecê-lo. Parece-nos que estas polémicas estão muito para além daquilo que as provoca, sejam livros para meninas, livros para meninos, sejam brinquedos com género distribuídos numa rede de fast food. Se a lei é igual para mulheres e homens, se os direitos e as obrigações são os mesmos, o que demonstram estas acaloradas discussões? Obviamente que persistem desigualdades e assimetrias; que a igualdade de género existe “no papel”, mas ainda está longe de ter sido interiorizada por muitos. Se fizesse parte do nosso quotidiano, nada provocaria tais polémicas. Salvaguarde-se, contudo, os avanços feitos nas últimas décadas, devido, especialmente, ao trabalho desenvolvido nas escolas; mas não se veja essa instituição como a panaceia que tudo vai resolver. Hoje, há casais que repartem tarefas caseiras, podendo ver-se, sem críticas da vizinhança, um homem a estender e a apanhar roupa, a passar a ferro, a mudar fraldas aos filhos. Mas…também «vemos, ouvimos e lemos» o que não podemos ignorar: violência doméstica, maridos que chegam a casa, sentam-se no sofá, aguardando pelo jantar, fazendo exigências atrás de exigências; estudos revelam que, a nível mundial, as mulheres são discriminadas no trabalho, na saúde, na educação…
Algumas das criticas à decisão do ministro resultam da confusão entre género e sexualidade. Claro que meninas e meninos são diferentes a nível fisiológico, mas devem ser iguais no que ao tratamento diz respeito. Seria de reconhecer que as meninas não nascem vestidas cor-de- rosa nem com bonecas atreladas; os meninos não nascem vestidos de azul nem acompanhados de carrinhos de brincar. Outros críticos não primam pela ignorância, mas sim pelo saudosismo de tempos passados. A esses lembramos que a História prova que o tempo não volta para trás! Acabou, jaz enterrado, sem hipótese de ressurreição, o tempo em que havia salas de aula para rapazes e salas de aula para raparigas, sendo as meninas educadas para serem boas donas de casa e os rapazes para garantirem o sustento da família; a mulher só podia viajar para o estrangeiro, ter emprego, ser comerciante, com autorização do marido; o marido que assassinasse a mulher adúltera era condenado a viver três meses fora da sua comarca; as professoras «primárias» e algumas enfermeiras precisavam de obter autorização superior para contrair matrimónio; revistas femininas davam conselhos às mulheres para serem felizes no casamento, como: «A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas, servindo-lhe uma cerveja bem gelada. Nada de incomodá-lo com serviços ou notícias domésticas.»; «Sempre que o homem sair à noite com os amigos, espere-o linda, cheirosa e dócil.»
A partir de livros para meninas e de livros para meninos, de brinquedos com género, a discussão deveria centralizar-se no que compete a cada um de nós fazer para garantir a igualdade de género, não esquecendo que uma das (ou a) pessoa que mais respeitamos, que mais amamos, é uma mulher, a nossa mãe.

Comentários

- PUB -

Mais populares

Mulher morre em colisão entre dois veículos em Grândola

Uma colisão frontal entre dois veículos ligeiros na Estrada Nacional 261, no cruzamento do Carvalhal, provocou, esta tarde, um morto e dois feridos graves.

Ana Catarina Gonçalves: A grandolense que arriscou e conseguiu montar um ‘império’ na vertente das explicações

Com apenas 21 anos, começou a acompanhar algumas crianças por brincadeira. Hoje, passados cinco anos, emprega três dezenas de professores

Acidente de viação no Montijo provoca três mortos

Colisão frontal provocou a morte de dois homens, de 26 e 32 anos, e de uma mulher, de 24 anos
- PUB -