19 Agosto 2022, Sexta-feira
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Desejos para o novo ano

Desejos podem ser os sonhos que temos, acordados, anseios que ficam, as mais das vezes, por realizar. Ainda assim, enchem-nos de ilusões face às dificuldades, carências e frustrações que marcam a nossa existência.

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Dei comigo a matutar no que mais desejaria para o novo ano. E lembrei-me do que vai por esse mundo de tiranias, injustiças, maldades e sofrimentos. Gostaria de descortinar, nos infernos em que vivemos hoje, amanhãs tranquilos e de felicidade. Contudo, e por mais que me esforce, não encontro razões (que as nobres almas otimistas descortinam não sei em que sinais) para grandes otimismos num futuro mais ou menos distante. Desgraçada Humanidade! A subjugação e o saque dos povos pelos novos impérios e pelos senhores do mundo, a exploração desenfreada do homem pelo homem e os sobejos abusos dos poderosos, a miséria, a guerra, a fome, os desprezos pela vida e pela dignidade humanas – moléstias que nos perseguem desde a ancestralidade –, não esmoreceram: estão aí, refinados, a dar razão ao dito antigo «Adeus mundo, cada vez a pior».

Que futuro para a Humanidade? Os crentes na infinidade do engenho e da bondade dos humanos têm a solução: sempre soubemos ultrapassar, sustentam, os escolhos que se nos depararam, e seguir em frente, nesta luta que travamos com a Natureza, quais deuses senhores da Terra, o que nos valeu o atual estádio de desenvolvimento. Parecem desprezar a nossa costela de demónios. A verdade é que o género humano é capaz do melhor e do pior: de inventos e realizações incríveis, mas também de criar intrincados problemas que vão ficando por resolver – alguns dos quais ameaçam a existência da nossa e das outras espécies, e do próprio planeta; de conviver em paz e harmonia, e outrossim de inventar guerras que destroem países inteiros e em que nos matamos uns aos outros sem piedade – e a corrida a novas e mais poderosas armas de destruição continua; de gestos de comovente generosidade, a par de comportamentos e atitudes do mais cru e vil desprezo pelos semelhantes.

Mas vamos lá aos meus sonhos, poucos, que sonhar tem seus limites. No contexto do mundo, fim das guerras e cooperação internacional para o desenvolvimento dos povos que definham no atraso. Internamente: trabalho para quem quer; uma vida digna para toda a gente; uma Justiça efetivamente igual pra todos e mais expedita, para que possamos crer nela; o governo a cumprir a legislatura, com os necessários empurrões e cotoveladas que lhe deem as esquerdas que o escoram, para lembrar ao senhor António Costa que o zé-povinho existe para além das campanhas eleitorais.

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