Entregue Título Digital de Exploração das duas novas fábricas do projeto Alba. Castro Almeida acompanha alerta de Álvaro Beijinha
A Repsol recebeu na passada sexta-feira o Título Digital de Exploração Industrial das duas novas fábricas do projeto Alba, em Sines, que a empresa espera que possam iniciar atividade até final deste ano. Durante a cerimónia, que decorreu no Complexo Industrial de Sines, o ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, e Álvaro Beijinha, presidente da Câmara Municipal de Sines, reconheceram a necessidade de reforçar o investimento público no concelho.
O autarca considerou “importantíssimo” o investimento da Repsol e deixou um alerta: “Sines quer investimento, quer inovação, quer emprego, quer contribuir para a transição energética e para o crescimento do País. Mas, todos estes investimentos – fala-se num valor global de mais de 20 mil milhões de euros – têm tido impactos na comunidade local”, afirmou, sem deixar de sublinhar que os dados do INE apontam para um crescimento de 12% da população de Sines entre os Censos de 2021 e o final de 2025.
“São cerca de duas mil pessoas que vieram para aqui viver nos últimos quatro anos e que tiveram de ocupar alguma casa, tiveram de pôr os filhos nas escolas, tiveram de recorrer aos cuidados de saúde, à segurança, e não houve crescimento de resposta a esse nível”, vincou Álvaro Beijinha, que admitiu que a falta de recursos próprios do município é um dos problemas.
“Não pode acontecer, o município de Sines, com todos estes investimentos, ter tido de receita de Derrama, no ano passado, menos de 1,5 milhão de euros. E em 2024 nem ter chegado ao milhão de euros. Quando digo isto aos meus colegas presidentes de câmara, não querem acreditar. Isto tem de ser repensado”, afirmou.
A observação do autarca foi, de resto, bem acolhida pelo ministro, já que Manuel Castro Almeida disse estar “basicamente de acordo” com a posição de Álvaro Beijinha. Para o ministro da Economia e Coesão Territorial, Sines “não pode ser apenas um recetáculo de grandes investimentos industriais”. Estas indústrias, admitiu o governante, “não vivem sem pessoas e as pessoas têm de ter condições de vida”.
“Temos de ter um plano de desenvolvimento do concelho, além da área industrial, que garanta condições nas escolas, nos centros de saúde, nas creches, nos infantários, nas acessibilidades, nas infraestruturas de todo o género”, reconheceu Castro Almeida. “Temos de reforçar o ritmo do trabalho nesse sentido para que Sines possa olhar para o investimento como uma grande oportunidade e uma vantagem”, adiantou o ministro.
O projeto Alba, no valor de 820 milhões de euros, é considerado o maior investimento da última década no País, na área industrial.