Projeto permitiu desenvolver conhecimento e capacidade tecnológica nacional na área do fabrico aditivo
A Universidade Politécnica de Setúbal (UNIPS) contribuiu para o desenvolvimento de novas competências tecnológicas aplicadas à indústria aeronáutica, graças ao projeto ProAero3D, cuja execução física terminou a 30 de junho.
Coordenada pela Wipro Lauak Portugal, a iniciativa integrou a Agenda Mobilizadora Aero.Next Portugal e contou com financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
O projeto permitiu desenvolver conhecimento e capacidade tecnológica nacional na área do fabrico aditivo, também conhecido como impressão 3D, uma tecnologia que possibilita a produção de componentes com geometrias complexas, reduzindo o peso das peças e otimizando o seu desempenho. Estas características assumem particular importância na aeronáutica, onde a eficiência e o cumprimento de exigentes requisitos de qualidade são fundamentais.
A participação da universidade politécnica incidiu no fabrico aditivo metálico e polimérico, através da investigação, da caracterização de materiais e processos e da validação experimental.
O trabalho foi desenvolvido em colaboração com a Wipro Lauak Portugal, o Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ) e o Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), promovendo a ligação entre a investigação académica e as necessidades concretas das empresas.
Entre os resultados alcançados estão a otimização, produção e ensaio de componentes destinados a aplicações aeronáuticas, incluindo peças para o LUS222, a primeira aeronave a ser desenvolvida em Portugal, e para sistemas aéreos não tripulados, nomeadamente drones utilizados na vigilância marítima.
Ricardo Cláudio, docente do Departamento de Engenharia Mecânica e coordenador do ProAero3D na UNIPS, destaca a criação de conhecimento e de capacidade produtiva em Portugal como um dos principais resultados da iniciativa.
“A grande mais-valia deste projeto é ter permitido criar em Portugal conhecimento, recursos humanos qualificados, infraestruturas e capacidade tecnológica e produtiva que o coloca em melhores condições para captar novos projetos internacionais”, lê-se na informação enviada a O SETUBALENSE.
O projeto envolveu docentes, investigadores, estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento e bolseiros de investigação, que tiveram oportunidade de trabalhar sobre desafios tecnológicos concretos. A iniciativa permitiu também reforçar as infraestruturas científicas da universidade, através da aquisição de equipamentos como um sistema de fabrico aditivo metálico e um microscópio eletrónico, criando condições para prosseguir a investigação nesta área.
“Esta interação entre estudantes, investigadores/as e empresas permitiu desenvolver competências altamente especializadas, de forma a corresponder às necessidades concretas da indústria”, salienta ainda o professor.
A transferência de conhecimento para o setor empresarial reflete-se também no percurso de dois estudantes que concluíram o mestrado e de uma investigadora doutorada, posteriormente contratados pela Wipro Lauak Portugal para trabalhar diretamente com esta tecnologia.
“É fundamental que as empresas portuguesas acompanhem e participem nesta evolução tecnológica, sob pena de perderem competitividade e oportunidades de integração nas futuras cadeias de fornecimento”.
O projeto quer reforçar a competitividade do País em matéria de fabrico aditivo para aplicações aeronáuticas continua concentrado nos grandes operadores internacionais.