Para os comunistas esta medida do Governo não é a solução para garantir às grávidas os cuidados de saúde que têm direito
O PCP não aceita a criação de urgências regionais na Península de Setúbal pelo que enviou ao presidente da Assembleia da República sete questões onde solicita ao Governo que, através do Ministério da Saúde, preste um conjunto de esclarecimentos sobre os constrangimentos na urgência de ginecologia e obstetrícia no Hospital Garcia de Orta.
Os comunistas querem saber quantas mulheres grávidas foram encaminhas para hospitais fora da Península de Setúbal, desde a entrada em funcionamento das urgências regionais. Questionam também quais os hospitais para onde são encaminhadas as mulheres grávidas, e quantos médicos e enfermeiros asseguram o funcionamento das urgências regionais e qual o seu local de trabalho de origem.
O PCP quer ainda saber, por unidade hospitalar, quantos médicos da especialidade de ginecologia e obstetrícia tem o Hospital Garcia de Orta, o Hospital de Nossa senhora do Rosário e o Hospital de São Bernardo, e quantos deveriam ter.
Questionam também se houve saída de médicos da especialidade de ginecologia e obstetrícia, destes três hospitais, desde o início do ano e, por hospital, quantos médicos da especialidade de ginecologia e obstetrícia iniciaram funções e quantos saíram destes hospitais nos últimos cinco anos.
Por último, exigem que o Ministério da Saúde diga que medidas foram adotadas para reforçar o número de médicos especialistas de ginecologia e obstetrícia nestes hospitais.
O PCP lembra que expressou oposição à criação das urgências regionais na Península de Setúbal, por considerar que esta “não é a solução para garantir às grávidas os cuidados de saúde que têm direito”, e aponta que “apenas três meses depois, a vida está a demonstrar que o Hospital Garcia de Orta não tem capacidade para dar resposta a toda a Península de Setúbal”.
Os comunistas sublinham ainda ter “alertado que no Hospital Garcia de Orta não seria possível realizar um número de partos na ordem de 4500/5000 partos por ano (que corresponde ao número de partos anual na Península de Setúbal nos últimos anos), número superior ao número de partos realizado pela Maternidade Alfredo da Costa”.
Consequentemente, alertaram que “as grávidas iriam continuar a percorrer quilómetros para serem atendidas. Na semana passada, veio a público que mulheres grávidas da Península de Setúbal estavam a ser encaminhadas para hospitais na região de Lisboa, porque o Hospital Garcia de Orta não conseguia dar resposta”.
Dizem ainda que “por constrangimentos que se verificaram em diversos períodos, devido à falta de profissionais de saúde, o serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia do Hospital Garcia de Orta esteve encerrado para o exterior, recebendo apenas as grávidas encaminhadas pelo CODU”.
Mais ainda, referem que “contrariamente ao que o Governo afirmou, a concentração das urgências de ginecologia e obstetrícia na Península de Setúbal e o encerramento do serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia do Hospital do Barreiro, não trouxeram estabilidade”.
Consideram que com esta medida do Governo “perdeu-se proximidade, perdeu-se capacidade, não se resolveu nenhum problema e as grávidas continuam a ser encaminhadas para hospitais de Lisboa e até para hospitais privados, estes últimos, os grandes beneficiados desta decisão do Governo”.