Paulo Ribeiro: “Aumentámos muito a atenção com que o PSD nacional olhou para o distrito de Setúbal”

Paulo Ribeiro: “Aumentámos muito a atenção com que o PSD nacional olhou para o distrito de Setúbal”

Paulo Ribeiro: “Aumentámos muito a atenção com que o PSD nacional olhou para o distrito de Setúbal”

Atual responsável do órgão tem os olhos postos nas próximas eleições autárquicas e legislativas, e quer melhores resultados

Paulo Ribeiro volta a candidatar-se à presidência da distrital de Setúbal do PSD, em eleições que decorrem no próximo dia 28. Em entrevista a O SETUBALENSE reflete sobre os últimos seis anos à frente do órgão, e congratula todos os responsáveis pela subida do partido nas últimas eleições legislativas e autárquicas.

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Se voltar a ser eleito para o cargo que agora ocupa compromete-se a trabalhar com todos os eleitos nas autarquias para preparar o próximo sufrágio – que decorre em 2029. Nesse mesmo ano haverá legislativas, eleição para a qual se compromete a trabalhar para fazer crescer os resultados.

Por que razão se volta a candidatar à Comissão Política Distrital de Setúbal do PSD?

Não antevia esta alteração estatutária e achava que o mandato que termina em outubro deste ano seria o último. No entanto, houve militantes de todo o distrito que acharam que faria sentido voltar a ser candidato, para terminar um trabalho que ainda ficou a meio.

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Achando eu que ainda podia dar alguma coisa ao PSD no distrito, e face aos sucessivos apelos de vários quadrantes do distrito, achei que não podia deixar de aceitar, e até porque havia algumas áreas – nomeadamente este último mandato, quer com os resultados que tivemos nas eleições autárquicas, quer nas legislativas – que havia que consolidar algum trabalho político e também um apoio aos nossos deputados eleitos e aos nossos autarcas que elegemos nas eleições de 12 de outubro.

Quando diz que quer dar continuidade ao trabalho que tem vindo a fazer, o que é que falta ainda fazer a nível distrital?

O culminar destes seis anos deram, por um lado, um crescimento do PSD no distrito de Setúbal. Em 2025 tivemos dois atos eleitorais, um para a Assembleia da República, onde a AD voltou a crescer e subiu em termos de votos relativos, e subiu também o número de deputados eleitos – voltámos a ter cinco deputados, o que não acontecia desde 2011.

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Nas eleições autárquicas, tivemos o melhor resultado do século, se assim se pode dizer. Voltámos a conquistar duas juntas de freguesia, Costa da Caparica, o que não ocorria desde 2009, e Canha, o que também não acontecia desde 2013, recuperámos vereadores que tínhamos perdido (Almada, Grândola, Barreiro, Sesimbra e Sines). E contribuímos com o apoio a candidaturas independentes para a vitória em Santiago do Cacém e, em Setubal, como sabemos, o PSD e o CDS também apoiaram a candidatura vencedora de Maria das Dores Meira. O que significa que temos de consolidar este crescimento e, acima de tudo, preparar já as autárquicas de 2029. Desta vez participamos em candidaturas vencedoras, candidaturas independentes, o que queremos em 2029 é ganhar câmaras municipais com a sigla do PSD ou da AD.

Pedia-lhe que fizesse um balanço dos dois últimos anos em frente à distrital ou dos últimos seis anos

Quando entrei em 2020 estávamos em pleno mandato de Rui Rio como presidente do partido. O PSD desceu muito nas intenções de voto, em 2019 voltámos a ter três deputados no distrito de Setúbal, isto também se refletiu nas autárquicas, e, de facto, o PSD estava a perder importância no País e no distrito.

O que procurámos fazer, e acho que podemos fazer muito melhor, foi dar um outro impulso ao PSD no distrito, com as dificuldades de quem sabia que não tinha o apoio da Comissão Política Nacional do PSD, mas voltámos a ter. O PSD passou a ter uma nova sede distrital mais moderna, mais atrativa, e mais capaz de estar aberta aos militantes e também aos simpatizantes para fazer novas coisas. Reforçamos a nossa presença em todo o espectro social do distrito de Setúbal, mais perto das pessoas.

Este é um partido que quer crescer e um partido que se quer afirmar no distrito de Setúbal. Elegemos mais deputados, crescemos eleitoralmente nas eleições legislativas, crescemos nas autárquicas de 2025, e isso é um trabalho conjunto – simultaneamente aumentámos muito a atenção com que o PSD, a nível nacional, olhou para o distrito de Setúbal.

Tudo isto tem um elemento polarizador, que é o atual primeiro-ministro e o líder do PSD, Luís Montenegro que passou a dar um destaque diferente e uma atenção diferente ao distrito de Setúbal. Por um lado, quando foi eleito líder do PSD, voltámos a ter um elemento na Comissão Política Nacional do PSD, que por acaso era eu, voltámos a ter um membro, um militante do distrito de Setúbal no Governo do país, neste caso, eu próprio como secretário de Estado, primeiro da Proteção Civil, depois secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, uma vice-presidente da Assembleia da República e muitos outros casos.

Além disso, o PSD voltou a olhar para o distrito de Setúbal como um distrito que precisa da atenção do Governo e dos órgãos nacionais.

Como é que encara as candidaturas apresentadas às eleições para as concelhias?

No global, e sem particularizar, acho que há um rejuvenescimento no PSD e, no distrito, há uma nova geração que começa a aparecer, e acho que temos secções com força, com gente e com militantes capazes de dar um novo impulso ao PSD em cada um dos concelhos.

Confesso que há uma área que queria dar a particular atenção neste mandato. Quando fui eleito presidente da distrital o PSD, dos 13 concelhos, só tinha 11 secções, havia duas secções em particular que estavam desativadas – que eram Sines e Alcácer do Sal. Voltámos a ter órgãos eleitos em Sines, aliás, com um grande trabalho dos militantes de lá – e não queria deixar de falar aqui do atual presidente, José Silva Costa, que voltou para reerguer o PSD em Sines

Há um que de facto ainda não conseguimos, que é Alcácer do Sal, que vai ter de ser uma prioridade para o PSD porque Alcácer, por força das últimas intempéries, sofreu muitos danos, portanto precisamos de estar lá com os vários órgãos do PSD, mas também da Administração Central, ao lado daquela população para voltar a reerguer Alcácer.

Como é que olha para a candidatura de Paulo Pisco à concelhia de Setúbal?

Apesar de ser militante nunca procurei muito confundir o facto de ser militante na secção de Setúbal, nunca procurei misturar-me naquilo que são as eleições ou confundir os planos.

Enquanto militante, discretamente, voto na secção de Setúbal. O nosso objetivo sempre, enquanto órgãos distritais, e no meu caso particular como presidente da distrital, é que os militantes, livre e democraticamente, escolham o candidato que querem, em cada momento, em cada concelhia, e a distrital, como sempre, trabalhará com quem for eleito, bem como todos os autarcas em funções. No caso de Setúbal também trabalharei com os autarcas do PSD que foram eleitos para os órgãos autárquicos.

Com que equipa se apresenta para este novo mandato?

Estas listas, sendo em algumas áreas de continuidade, têm uma grande renovação. Uma renovação que anda à volta dos 65% face aos órgãos anteriores, e têm uma grande participação de mulheres também – à volta de 45% de mulheres na lista.

Também a entrada de muitos jovens na lista, alguns deles ainda oriundos da JSD. Mas, numa lista que já está há seis anos à frente dos destinos do partido neste distrito, não deixava de assinalar que conseguimos ainda assim uma grande renovação com 65% de novas pessoas e também uma quase paridade entre homens e mulheres.

INTEMPÉRIES NA REGIÃO

“O Governo tem estado muito em cima procurando arranjar alternativas”

O secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna explica como é que o Governo tem olhado para os concelhos de Alcácer do Sal e Almada, os dois municípios desta região que foram severamente afetados pelas intempéries do último mês.

Tendo em conta as recentes intempéries, que afetaram Alcácer do Sal e Almada, qual é que tem sido o olhar do Governo para estes dois casos?

Tivemos um comboio de tempestades como nunca tivemos no nosso País. No espaço de duas semanas tivemos quatro tempestades com efeitos muito severos, com chuva que não acontecia há 40 anos.

O Governo fez tudo o que tinha de fazer, em primeiro lugar, para antecipar os efeitos, prevenir e estar nos sítios mais complexos para prevenir a severidade dessas tempestades, e conseguiu fazê-lo. Podemos sempre fazer melhor, isso é sempre possível e é desejável, mas conseguimos ter menos casos fatais do que comparado, por exemplo, com a nossa vizinha Espanha.

No caso concreto do distrito de Setúbal, há dois concelhos muito particulares. Há um que tem estado com maior atenção, aliás, fez parte da declaração inicial de calamidade, que é Alcácer do Sal, um concelho que teve muitas zonas alagadas durante muito tempo.

Tive a oportunidade de estar no concelho a acompanhar o primeiro-ministro e a ministra do Ambiente, o ministro da Agricultura também lá esteve e o ministro das Infraestruturas e da Habitação. Agora o que o PSD tem de ter para todo o País, e para os concelhos mais afetados, como está a ter, é um plano de apoio aos nossos cidadãos e às empresas que mais sofreram com as intempéries, e isso está a acontecer.

Em Almada, apesar da severidade aparentemente não ser tão grande, tem também os seus efeitos. Tive a ocasião de estar em Almada com a secretária de Estado da Habitação e, enquanto secretário de Estado Adjunto da Administração Interna, na Trafaria, com a presidente da câmara, vereadores e a presidente da junta.

Almada, particularmente a zona da Trafaria, da Costa da Caparica e da Charneca da Caparica, estão a sofrer com essa circunstância, com o deslizamento e o desprendimento de terras. O Governo tem estado muito em cima procurando arranjar alternativas.

O que podia ser feito em termos de prevenção, foi feito. O que tinha de ser feito em termos de minorar os riscos e depois de reconstruir, pelo menos, algumas áreas para que as populações pudessem deslocar-se e pudessem voltar a alguma normalidade, está ainda a ser feito.

Há muita destruição do tecido económico, industrial, de habitações, mas o próprio Estado tem esse problema também.

Só para falar na minha área de atuação dentro do Governo, a GNR e a PSP têm muitas das suas infraestruturas, nos distritos de Leiria e Coimbra, afetadas. Não quero, aliás, deixar de reconhecer o papel muito importante que as forças de segurança tiveram na reposição da normalidade, mas também na manutenção e na preservação da ordem pública.

Almada não era um caso onde se devia ter decretado o estado de calamidade?

O estado de calamidade foi decretado logo na primeira hora, a 29 de janeiro, e foi para aqueles que já estavam a sofrer com a depressão Kristin.

Almada ainda não estava a sofrer, ou, pelo menos, não sofreu com aquela severidade. Setúbal também sofreu, o Barreiro também sofreu, a Moita, mas comparado com os concelhos dos distritos de Coimbra e Leiria, e também no caso do distrito Setubal de Alcácer do Sal, a severidade não tinha nada a ver, apesar de haver estragos.

Nos outros concelhos foi declarada a situação de contingência que é, em termos da Lei de Bases da Proteção Civil, um nível abaixo da calamidade – falamos em estados de prontidão das forças de segurança, da Proteção Civil, dos bombeiros, do Estado, das autarquias locais. Agora, há outra parte, e isso o Governo tem estado a fazer, que são os apoios à construção.

Por exemplo, na questão da consolidação da Arriba Fóssil, naturalmente o Governo olhará com particular atenção para a Almada e para todos os outros concelhos onde se possa sentir a necessidade do Estado se juntar a essa ajuda.

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