Os 150 Anos do Mercado do Livramento, memórias e perspetivas

Os 150 Anos do Mercado do Livramento, memórias e perspetivas

Os 150 Anos do Mercado do Livramento, memórias e perspetivas

Julho assinala o aniversário de um dos espaços mais icónicos de Setúbal. Entre os comerciantes vive-se um misto de preocupação e esperança


A 31 de julho, esta sexta-feira, o mercado do Livramento comemora um marco histórico singular: 150 anos de existência. Este espaço, muito mais que um simples local de comércio, representa uma verdadeira instituição na vida da cidade e região, refletindo as transformações sociais, económicas e culturais ao longo de um século e meio.

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Fundado em 1876, o mercado nasceu com o objetivo de agrupar os comerciantes tradicionais, principalmente peixeiros, produtores agrícolas e vendedores ambulantes num espaço organizado e coberto. Esta génese foi fundamental para garantir qualidade, higiene e comodidade tanto para os comerciantes como para os clientes. Ao longo dos anos, o mercado tem evoluído, mantendo-se como epicentro comercial e cultural local, adaptando-se às mudanças demográficas, tecnológicas e económicas. O mercado do Livramento, com seus 150 anos, permanece como um símbolo de resiliência, tradição e identidade regional.

Em contexto de aniversário O SETUBALENSE reuniu testemunhos de pessoas que, por interesses distintos, estão ligadas ao mercado, com as suas experiências e expectativas em relação a este momento tão significativo para a cidade. Os relatos recolhidos demonstram o orgulho de uma comunidade em pertencer a este espaço, bem como a consciência dos desafios presentes e futuros.

Os depoimentos apontam que o futuro do Mercado de Setúbal passa por uma conjugação de respeito pela história com inovação constante e medidas que potenciem a imagem e oferta do mercado na região, no país e no mundo.

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Luís Rosa está no mercado há cerca de 24 anos, e ao longo deste tempo tem consolidado uma relação “forte e positiva” com este espaço emblemático da cidade de Setúbal. Ele expressa uma “profunda satisfação e felicidade por estar neste local há mais de duas décadas, considerando o mercado não apenas um ponto de venda, mas também “um lugar de encontro”.

Apesar dessa ligação afetiva e profissional ao mercado, Luís lamenta que nesta altura o negócio (a venda de mel caseiro) esteja um pouco “mais difícil nos últimos tempos” devido a uma menor afluência ao espaço, mas, otimista, acredita no futuro”.

Não muito distante da banca do mel está o veterano Jaime Fonseca. Ele que já contabiliza 74 anos de experiência no mercado, com a sua banca de azeitonas e fruta variada. Este comerciante oferece uma perspetiva “profunda e crítica”. Para ele, o mercado passou por “altos e baixos” e no presente lamenta a “redução significativa do turismo, que antes sustentava o movimento durante os meses de verão”, mencionando a ausência de infraestruturas turísticas locais “como parques de campismo, que atraíam visitantes”. Outra preocupação destacada por Jaime Fonseca é a diminuição da presença de imigrantes, “que eram clientes regulares e dinamizavam o comércio local”.

Paula Neves, da pastelaria/padaria Docinho Mel, pelo contrário tem uma experiência muito recente no mercado onde está a trabalhar há cerca de sete meses. Por isso, também, traz uma visão mais recente e esperançosa. Reconhece a importância da celebração dos 150 anos e expressa vontade de “participar ativamente nas festividades”. Para Paula, o mercado é “mesmo o melhor do mundo”. Uma opinião, de resto, partilhada pela maioria, se não todos, dos vários comerciantes devido à diversidade e qualidade dos produtos oferecidos, além do ambiente único.

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O Talho 30 de Hélder Antunes é outra das referências deste espaço comercial de Setúbal. Com quatro décadas no mercado, o empresário apresenta uma visão equilibrada do negócio. Afirma que, “apesar das oscilações”, o momento atual “está dentro da normalidade, nem em declínio acentuado, nem em crescimento exagerado”. Aponta que, a celebração dos 150 anos de mercado, recolhe da sua parte um grande elogio e sem dúvida “merece que se abra uma garrafa de champanhe”.

Na zona “nobre” do mercado o cheirinho a peixe fresco domina o ambiente. Henrique João gere a sua bancada de peixe há 50 anos. Ele que afirma de forma enfática; “o mercado é uma parte viva e vital de Setúbal, “não um museu”. É procurado, destaca, “tanto pelos habitantes locais como por pessoas da Grande Lisboa, do Alentejo, Ribatejo e até da Raia Espanhola”. Na passagem dos 150 anos do mercado, o comerciante defende que, apesar das mudanças, “deve manter a sua essência através da sua génese: o peixe fresco e a produção local que fez do mercado ponto central de comércio em Setúbal”. Acrescentando ainda, em tom sublinhado, que “é essencial para manter o mercado atual e relevante. A combinação entre tradição e modernidade deve continuar a ser o foco”.

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Nesta ronda pelos comerciantes do mercado do Livramento, em mês de aniversário, paramos junto ao leve e agradável aroma emanado pela bancada da Florista Julieta. José, o homem por detrás do balcão, realça uma presença de 48 anos no mercado “Quase meio século a vender flores”, diz com um sorriso rasgado. Um espaço temporal “com balanço positivo” apesar dos desafios económicos atuais e competição com vendas online”. Ele observa que o mercado “mantém o seu charme e mística, especialmente nos fins de semana”. Ressalta que o movimento persiste “graças à oferta variada e à fidelidade dos clientes”.

No seio dos comerciantes do mercado do Livramento parece consensual a ideia desta data marcante e histórica deve ser aproveitada como um momento de reflexão, celebração e reestruturação, garantindo que os próximos 150 anos sejam igualmente marcantes e dinâmicos.

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Mudança de visual marca aniversário

O Mercado do Livramento, na Avenida Luísa Todi, foi alvo de pinturas e passará a apresentar uma fachada com uma nova cor. A renovação da imagem da fachada coincide com o ano em que este local histórico completa 150 anos A infraestrutura que celebra 150 anos no próximo dia 31 de julho, sexta-feira, vê a sua identidade renovada no dobrar da centena e meia de anos repletos  de história ao serviço dos setubalenses.

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