Vão ser realizadas nos acessos à cidade em colaboração com a autarquia e com a presença das autoridades
O Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) quer travar a entrada de javalis em Setúbal e por isso vai realizar as chamadas ações de correção de densidade populacional, ou seja, caça com montarias ou esperas noturnas com armadilhas nos caminhos que os animais usam para entrar na cidade.
Estas medidas até agora eram realizadas em zonas agrícolas, mas perante o “aumento insustentável da espécie na Serra da Arrábida e o cada vez maior avistamento de animais na cidade”, conforme disse Carlos Albuquerque, diretor regional de Lisboa e Vale do Tejo do ICNF, vão ser realizadas nos acessos à cidade em colaboração com a autarquia e com a presença das autoridades para salvaguarda a segurança da população.
O ICNF e a autarquia de Setúbal reuniram esta quinta-feira para, entre outros assuntos, encontrar soluções para travar a presença cada vez mais assídua de javalis na zona ribeirinha. Os animais cavam buracos de grandes dimensões à procura de tubérculos em zonas ajardinadas, danificando os locais, e reviram os caixotes de lixo.
Carlos Albuquerque, diretor regional do ICNF, anunciou que a medida será realizada a curto prazo e começa na identificação, em colaboração com a autarquia de Setúbal, dos canais que os animais utilizam para aceder à cidade. Aqui serão “realizadas ações de correção de densidade populacional, evitando assim a presença do animal na cidade”. “Não queremos dizer que se os animais saem do parque natural, o problema já não é do ICNF”, acrescenta Carlos Albuquerque.
Os animais eram já vistos na cidade durante o verão noutros anos, mas este tem sido mais frequente. Durante o inverno, os animais alimentam-se de tubérculos e raízes na Serra da Arrábida, mas durante o verão, perante a escassez de alimentos na serra, os animais dirigem-se à cidade. Assim, a zona ribeirinha de Setúbal tem sido visitada ao longo das últimas semanas por javalis durante a noite e final de tarde.
De acordo com o ICNF, por ano são abatidos 700 animais na Serra da Arrábida. Em Lisboa e Vale do Tejo, o número aumenta para os 6450. O “problema” dos javalis, conforme o diretor do ICNF explica, “agudizou-se com a pandemia. Nesses anos, sem a presença humana tão frequente na serra, a espécie conseguiu proliferar bastante e hoje ultrapassou o limite do sustentável, que pode ser corrigido com as chamadas ações de correção de densidade populacional nas zonas onde mais causas prejuízos”.