Das ruas humildes para a glória na Luz

Das ruas humildes para a glória na Luz

Das ruas humildes para a glória na Luz

Entre ruas simples de Setúbal e memórias incontáveis de jogar com uma bola de “trapos”, nasceu em outubro de 1948, Vítor Baptista, conhecido como, segundo o seu irmão ,Idaliano Batista, “o mais novo de nós os três, e era um gaiato, assim, muito reguila.”

Mesmo crescendo numa família pobre, como Idalino afirma “naquela altura não havia famílias ricas”, Vítor conseguiu realizar o seu sonho, ao se profissionalizar no futebol. Os seus dois irmãos mais velhos, Eduardo e Idaliano dividiam o seu tempo entre estudos e o trabalho, enquanto Vítor dedicava todo o seu tempo a melhorar a sua performance futebolística.

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Começou por jogar em clubes considerados “de bairro”, rapidamente foi destacado pelo seu talento, até que o seu destino o levou ao Vitória de Setúbal, clube que lhe deu palco para muitos elogios e reconhecimento, chegando  a ser apontado como uma das grandes promessas do futebol nacional na década de 60 e 70, como este recorda numa entrevista à RTP em 1997, onde se autointitulou “O Maior”.

A sua maior conquista foi integrar o plantel do Sport Clube Benfica entre 1971 e 1978,  foi considerado o ápice da sua carreira.

 O irmão Idaliano, complementa dizendo com firmeza – Ele nasceu para o futebol -. Sendo um dos jogadores com uma transferência de nível recorde, para os anos em que se encontrava, como Idaliano conta – Foi transferido por 3 mil contos, era muito dinheiro naquela época. Era enquanto secalhar agora 3 milhões, 4 milhões ou 5 milhões- . Chegando também a representar a Seleção Portuguesa, junto de vários outros nomes muito importantes para o futebol nacional.

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Em campo, era um jogador imprevisível, capaz de resolver o jogo num instante. Fora de campo, era conhecido pela sua personalidade extravagante e luxuosa. O próprio irmão, nosso entrevistado, confessou – Quando começou a ganhar bem, perdeu-se um pouco. –  Deu assim a entender a entender que, o repentino salto de uma vida com poucas condições, para uma de receber milhares, fez com que o futebolista tomasse algumas atitudes pouco ponderadas. Ainda assim, o irmão de Vítor remata ao dizer – “Ele era feliz à sua maneira”.

A vida de Vítor Baptista foi marcada por momentos de felicidade e também de arrependimento, mesmo não sabendo lidar com o peso da fama e do enriquecimento como nos foi contado, numa conversa leve com Idaliano Baptista.

A sua história é um exemplo de como o foco e a determinação pode levar alguém a altos patamares, mas traz também uma reflexão de como tanto poder económico e socal, pode dar à alteração do carácter de quem os assume.

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Independentemente de algumas escolhas questionáveis de Vitor, este permanecerá na memória de todos como um símbolo do futebol português.

Texto publicado por Beatriz Lopes na edição especial da revista “Perfil Local” da ESE/IPS

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