Agressões terão começado com um aluno a desferir murros e pontapés nas costas e pernas da vítima. Ministério da Educação já foi informado do caso
Uma criança invisual de seis anos que foi, alegadamente, agredida por colegas na Escola Básica/Jardim de Infância da Azeda, na passada quinta-feira, está emocionalmente abalada e recusa regressar à escola, denunciou a associação SerEspecial.
Segundo um comunicado da Associação de Apoio a Famílias de Crianças e Jovens com Necessidades Especiais, SerEspecial, as agressões terão começado com um aluno a desferir murros e pontapés nas costas e pernas da vítima, sem motivo aparente.
A associação relata ainda que a criança terá sido rodeada por mais seis colegas, com idades entre os cinco e os sete anos, que continuaram as agressões durante vários minutos, até que uma auxiliar de ação educativa se apercebeu da situação.
Os pais dos alunos envolvidos terão sido informados em momentos distintos, mas, de acordo com a SerEspecial, os encarregados de educação dos alegados agressores foram contactados pouco depois do incidente e os pais da criança agredida só terão sido informados do sucedido por terceiros, quando se deslocaram à escola, cerca das 16 horas.
Numa publicação na rede social Facebook, a associação SerEspecial salienta ainda que fonte próxima da família indicou não ser a primeira vez que a criança sofre agressões físicas naquele estabelecimento de ensino.
A associação refere ainda que os agressores terão evitado falar durante o ataque por a vítima os identificar, sobretudo pela voz.
Apesar de não apresentar ferimentos físicos graves, a criança encontra-se “emocionalmente abalada” e recusa regressar à escola, acrescenta a mesma fonte.
A agência Lusa tentou ouvir a associação SerEspecial, mas a presidente, Joana Ferreira, respondeu por escrito dizendo apenas que “os pais da criança não querem mais declarações sobre o assunto”.
O Agrupamento de Escolas Sebastião da Gama, ao qual pertence a Escola Básica da Azeda, afirmou já ter prestado todos os esclarecimentos ao Ministério da Educação, não prestando mais declarações.
Fonte do Comando Distrital de Setúbal da PSP indicou que a polícia não foi notificada, mas salientou a disponibilidade do programa Escola Segura para apoiar ações de sensibilização e prevenção de situações de ‘bullying’.
Já a Câmara Municipal de Setúbal veio, ao fim da tarde de segunda-feira, esclarecer que está a acompanhar o caso junto da escola e que este estabelecimento cumpre o rácio do número de auxiliares por criança. “A Câmara Municipal de Setúbal repudia qualquer tipo de violência e está a tomar conta da ocorrência junto da direção do agrupamento escolar – que tem a competência das questões disciplinares na comunidade escolar. No entanto, a respeito do número de auxiliares, a escola cumpre o rácio determinado por Lei”, avançou fonte oficial da autarquia. A Lusa contactou também o Ministério da Educação, que terá sido informado do sucedido pelo Agrupamento de Escolas de São Sebastião, mas, até ao momento, não foi divulgada qualquer tomada de posição sobre o caso. Lusa com Rogério Matos