100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
Cerca de uma semana após a fundação, em 1950, o cineclube realizou a primeira sessão no antigo Cinema Salão
Nos anos 1950, o movimento cineclubista português estava em forte expansão. Os cineclubes surgiam como espaços de formação cultural, onde se discutia cinema como arte, numa época em que a oferta comercial era limitada e sujeita à censura do Estado Novo. Em Portugal existiam apenas alguns cineclubes no final da década de 1940, mas na década seguinte o movimento espalhou-se por dezenas de cidades.
Foi neste ambiente que um grupo de setubalenses fundou o Cineclube de Setúbal, em março de 1956, numa reunião realizada na sede do Clube de Campismo de Setúbal. A associação assumiu um carácter cultural, artístico e educativo, tendo como objetivo divulgar cinema de qualidade e promover a educação cinematográfica da população
A atividade começou praticamente de imediato. Cerca de uma semana após a fundação, o cineclube realizou a sua primeira sessão no antigo Cinema Salão, uma das mais importantes salas de espetáculo da cidade. O filme exibido foi o clássico neorrealista italiano Ladrões de Bicicletas, considerado uma obra-prima do cinema mundial. A sessão contou com comentários do crítico e cineasta português Ernesto de Sousa, uma figura central do cineclubismo português
A associação desempenhou um papel importante na vida cultural de Setúbal, promovendo sessões de cinema, cursos, exposições e atividades ligadas ao cinema amador. Contudo, enfrentou dificuldades devido ao controlo exercido pela Federação Portuguesa de Cineclubes, criada também em 1956 sob supervisão do regime do Estado Novo. O Cineclube acabaria por cessar a atividade em 1962.
Uma data oficial de constituição registada nos arquivos é 16 de março de 1956 aquando da Fundação do Cineclube de Setúbal, em março de 1956 realiza-se a primeira sessão pública com Ladrões de Bicicletas, em 1959 é o apoio à produção de filmes sobre a Feira de Santiago e a Igreja de Jesus, mas em novembro de 1962, após anos de dificuldades administrativas e de pressão institucional, a direção demitiu-se. Foi nomeada uma comissão administrativa e a maioria dos associados afastou-se, levando ao encerramento da atividade do cineclube. Apesar da sua curta existência, o Cineclube de Setúbal deixou uma marca significativa na vida cultural da cidade e é hoje reconhecido como um dos principais projetos culturais setubalenses do período do Estado Novo.
Ao longo das décadas, o Cineclube de Setúbal consolidou-se como um pólo de dinamização cultural local, contribuindo para a valorização do património cinematográfico e a formação de novas gerações de espectadores. A sua ação contínua reflete o papel dos cineclubes portugueses na defesa da liberdade artística e na educação para o cinema.