Cinema de Animação na União Setubalense tem última sessão agendada para amanhã. Responsáveis fazem o balanço da iniciativa
Realiza-se este sábado a quarta e última – pelo menos desta edição – sessão do CAUS – Cinema de Animação na União Setubalense, projeto promovido pela Sociedade Musical e Recreativa União Setubalense.
Vítor Branco, João Champlon e João Pedro Duarte são os três grandes responsáveis por um projeto que nasceu ‘durante um almoço’ e que, agora, uma vez por mês desde abril, traz dezenas de pessoas à cidade de Setúbal que querem aprender mais sobre o cinema de animação.
“Há a coincidência de termos todos trabalhado com um filme de animação, que teve importância nas nossas vidas e tem alguma relevância na produção de cinema de animação em Portugal, que se chama ‘Nayola’. Essa produtora, ao criar a equipa para a pós-produção do filme, juntou-nos os três. Esta relação, na animação e a amizade conjunta, fez, aqui com a União, nascer – porque a União tinha essa abertura – uma mostra de cinema de animação”, explica João Champlon a O SETUBALENSE.
“Liberdade”, “Meio Ambiente” e “Mulheres” foram os três temas que ficaram para trás. Agora, os olhos estão postos em “Preto e Branco”, tema desta última apresentação. “História trágica com final feliz”, de Regina Pessoa, “A Criação”, de José-Manuel Xavier, “Pássaros”, de Filipe Abranches, “Água Mole”, de Alexandra Ramires e Laura Gonçalves, “O Homem das pernas altas”, de Vítor Hugo Rocha e “Estória do gato e da lua”, de Pedro Serrazina, são as exibições que vão estar este sábado na União Setubalense a partir das 15 horas.
Independentemente das faixas etárias que pudessem estar interessadas nas sessões, e em outras atividades, a finalidade era dar aos vários públicos a possibilidade de contactar com o cinema de animação “que é de muito alta qualidade, é muito reconhecido internacionalmente”, mas não tão conhecido dentro das fronteiras, devido à “dificuldade de contacto com a população”.
Para João Pedro Duarte, centralizar atividades em Setúbal é também uma forma de “funcionarmos contra o buraco negro de Lisboa, que atrai um bocadinho de tudo, absorve tudo, aspira tudo lá para dentro”.
“Uma das coisas que gostámos muito foi termos cá um miúdo que está interessado em artes e ainda não se orientou bem para onde quer – sabe que quer artes – e veio de Santiago do Cacém exatamente para ter esta experiência, já duas vezes. Lisboa funciona como um buraco negro, porque vêm os que têm oportunidade, e quem se calhar não tem ‘background’ ou essa possibilidade parece que não tem direito a nenhum tipo de experiência ou contacto. É o nosso contributo”, relata ainda.
Oficinas paralelas com balanço “muito positivo”
Mas não só de exibições se faz o CAUS. Ao longo das sessões há também comes e bebes – com caldo verde, bifanas, pão, salgados, queijos, enchidos, imperial, cervejas de garrafa, vinho e café – e até exposições – de objetos de filmes, ‘flipbooks’ cartazes, t-shirts, e, ainda o visionamento permanente de trailers, filmes de oficinas e making of.
Além disso, as oficinas têm sido um grande atrativo deste projeto cultural. A organização faz um balanço positivo das atividades.
“Acho que o balanço é muito positivo tendo em conta que, em todas as sessões, conseguimos atingir o limite das inscrições para as oficinas, conseguimos atingir o limite nas três. E nas exibições conseguimos ter sempre uma sala composta”.
De sessão em sessão, o público foi sendo composto, graças à visibilidade que a iniciativa foi tendo ao longo dos tempos. “É um balanço bastante positivo, e desta vez já com um público mais orgânico. Já não foi aquela coisa do ‘passa a palavra’, as pessoas viram nas redes sociais, no jornal, já cá tinham estado, todas estas coisas já começaram a dar alguma visibilidade ao projeto e isso já trouxe algum público às sessões da tarde, às exibições, como às oficinas”.
Continuidade do projeto é desejo da organização
Apesar de ainda não ter terminado, já se fala na continuidade do projeto daqui para a frente. A intenção da organização, e até da direção da União Setubalense – que acolheu todas estas sessões – é que a iniciativa cultural possa crescer.
“Estamos com vontade de continuar a iniciativa e ver de que forma conseguimos continuar a contribuir, com este gosto que temos pelo cinema de animação. Mas, isto está dependente um pouco do que as instituições têm capacidade para se empenhar no futuro”, diz João Champlon.
Vítor Branco apela às entidades para que possam investir nesta iniciativa. “O CAUS talvez nos tenha mostrado que há espaço para isto em Setúbal. E se há espaço para isto em Setúbal, então que nos apoiem, porque este programa que aqui está é muito bom. Se conseguimos fazer isto com pouco dinheiro, se nos apoiarem conseguimos muito mais”.
O Cinema de Animação na União Setubalense é organizado pela Sociedade Musical Recreativa União Setubalense e tem parceria da Casa da Animação, Agência e APPACDM Setúbal e parceiros media RTP2 e O SETUBALENSE. Contam-se ainda os apoios da Câmara Municipal de Setúbal, Festróia, Crómia Publicidade, Regiset, Nada, a Escola Superior de Educação do IPS, a Escola Artística António Arroio e a União das Freguesias de Setúbal.