Albérico Costa: “Só sabemos o que somos se soubermos de onde viemos”

Albérico Costa: “Só sabemos o que somos se soubermos de onde viemos”

Albérico Costa: “Só sabemos o que somos se soubermos de onde viemos”

Após um ano do lançamento do 1.º Volume do ‘Dicionário da História de Setúbal’ o Coordenador fala sobre a segunda e penúltima parte da obra e explica a importância de preservar a memória coletiva da cidade.

Um ano depois da publicação do primeiro volume, o ‘Dicionário da História de Setúbal’ prepara-se para dar mais um passo na construção daquela que ambiciona ser a mais completa obra de referência sobre a história da cidade. O segundo volume deste registo será apresentado a 29 de julho no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Setúbal.

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Coordenada pelo professor Albérico Afonso Costa, a obra reúne o contributo de dezenas de investigadores de diferentes áreas do conhecimento e percorre mais de dois mil anos de história sadina, cruzando temas sociais, políticos, económicos, culturais, religiosos e desportivos, além de dar destaque a personalidades que marcaram o percurso da cidade.

Em entrevista a O SETUBALENSE, o coordenador faz um balanço do primeiro ano do projeto, que considera ter já ultrapassado as expectativas iniciais, destaca o acolhimento positivo por parte da comunidade e revela que as sugestões dos leitores já influenciaram novos conteúdos. Convicto de que conhecer o passado é essencial para compreender a identidade coletiva, Albérico Afonso Costa acredita que o ‘Dicionário da História de Setúbal’ poderá afirmar-se como um instrumento de referência para investigadores, professores, estudantes e todos os que procuram compreender a história da cidade.

Um ano depois do lançamento do primeiro volume, como olha para a evolução deste projeto? Correspondeu às expectativas?

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A avaliação que faço de evolução do projeto é muito positiva. Até agora foi rigorosamente concretizado, como estava previsto. Este projeto editorial foi concebido para ser realizado ao longo de três anos e, em julho do ano passado foi publicado o primeiro volume, da letra A a E, no âmbito do aniversário dos 170 anos do Setubalense.

O segundo volume, da letra F a O, será publicado este mês e, mais uma vez, como homenagem ao Setubalense. Ainda, ao nível da avaliação deste projeto, não posso deixar de sublinhar a relação de trabalho muito profícuo com o editor do livro, o doutor Francisco Rito, que se foi aprofundando ao longo destes mais de dois anos de trabalho coletivo.

Queria também ainda dar uma palavra de louvor e de agradecimento aos autores que participaram, de uma forma empenhada e generosa, neste projeto. No primeiro e no segundo volume, já participaram 86 pessoas, sem o saber e a competência destas dezenas de investigadores, o dicionário de História de Setúbal não teria tido possibilidade de existir. Como palavra de avaliação final, tenho de admitir que o projeto já ultrapassou as expectativas iniciais.

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Que retorno teve por parte da comunidade setubalense? Houve sugestões acerca do primeiro volume que influenciaram este segundo?

O retorno tem sido bastante positivo, por parte da comunidade setubalense, quer ao nível da comunidade educativa, que era ao nível da população em geral. Tem sido, bastante gratificante a forma como este trabalho foi recebido pela nossa comunidade.

Houve também já várias sugestões para novos temas para serem integrados para o segundo volume e outras que seriam integradas para o terceiro volume.

E, voltando à questão das propostas, foram feitas propostas para entradas gerais sobre a história de Setúbal, mas também de personalidades Setubalenses que deviam ser biografadas de uma maneira geral e aceitei essas propostas de bom grado. De resto, há que dizer que continuo, aberto a novas sugestões para novos temas que poderão vir a ser integrados, portanto, no terceiro volume ou em adenda.

Entre as mais de 1300 entradas previstas para a obra completa, quais são os verbetes deste segundo volume que acredita que vão despertar especial curiosidade nos leitores?

Seria redutor e muito injusto individualizar três verbetes em relação às centenas de todos os outros. Mas, apesar disso, não tenho dificuldade a identificar novas áreas temáticas que, no passado, não tinham sido suficientemente tratadas pela historiografia setubalense e que têm um relevo especial neste dicionário.

Refiro-me, em primeiro lugar, a área da história da educação e das instituições educativas.

Uma segunda área que despertará certamente o interesse dos leitores, refiro-me ao papel protagonizado pelos católicos setubalenses na resistência ao Estado Novo, nos finais da década de 60 e nos últimos anos do Marcelismo. São ainda biografados uma grande diversidade de homens e mulheres desconhecidas da maioria dos setubalenses, mas que desempenharam um papel relevante na nossa sociedade.

Um dos objetivos do projeto é servir de ferramenta para escolas e investigadores. Tem conhecimento de professores ou estudantes que já estejam a utilizar o primeiro volume?

Há, de facto, professores, particularmente professores de História, que já utilizaram o dicionário como recurso educativo. Porém, o dicionário tem potencialidades para ser utilizado em várias áreas curriculares, com destaque para o português e para as áreas das ciências sociais em geral.

Do mesmo modo, pode ser um recurso nos diversos níveis de ensino, do pré-primário ao ensino superior. Depende da forma como os diferentes professores e agentes educativos quiserem pegar no dicionário, porque é uma estrutura, desse ponto de vista, aberta.

Queria ainda destacar um ponto acerca da Câmara Municipal, que tem tido um papel relevante neste domínio, porque ofereceu um exemplar do Dicionário da História de Setúbal a todas as escolas públicas e privadas do concelho. Deste ponto de vista, toda a gente, todos os professores, todos os alunos têm acesso ao livro de forma gratuita.

Quando o terceiro volume estiver concluído, o que gostaria que esta obra representasse para a cidade?

Nestes três volumes são tratados mais de 2000 anos de história deste espaço urbano. A cidade poderá consultá-los e aí encontrar factos, personalidades, entidades e vivências que, no fundo, constituem o passado sadino.

Estes três volumes que se dobram em centenas de páginas e entradas poderá funcionar como um recurso valioso para a comunidade escolar e também para o povo de Setubalense. Sem querer ser muito ambicioso, entendo que este dicionário se poderá constituir numa referência que permita informar, quem o consultar, sobre a cidade que fomos, quem habitou, como habitou, quais os principais acontecimentos que nela tiveram palco, as influências que sofreu a nível nacional e internacional, mas também conhecer a forma como a história da cidade influenciou a história nacional. E houve, de facto, alguns momentos em que a história de Setúbal contribuiu para determinar o próprio percurso da história nacional.

Que mensagem gostaria de deixar aos leitores antes da apresentação pública deste segundo volume?

Gostaria de dizer que quem hoje vive em Setúbal deve conhecer e entender o passado desta cidade. Se há uma comunidade que tem passado, presente e futuro, é esta a comunidade setubalense e o futuro é a síntese deste presente e do passado que a originou. Entender esta dialética transformadora, viva, dinâmica, dá-nos a memória e a identidade local, pois só sabemos o que somos se soubermos de onde viemos.

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