100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS. Em 1938 foram concluídas as obras do edifício, com o essencial da traça atual, e foi reaberto
Os atuais Paços do Concelho de Setúbal têm uma história longa e marcada por reconstruções, terramotos e acontecimentos políticos. Apesar de existir referência a que a atual configuração do edifício remonta a 1926 a data que parece mais consensual é que o atual terá sido inaugurado em 1938, sendo que o edifício resulta de um projeto do arquiteto Raúl Lino, que substituiu o anterior destruído num incêndio durante a revolução republicana de 1910.
A referência histórica aos Paços do Concelho de Setúbal indica que o edifício original ardeu por completo em 1910 e que, em 1927, o arquiteto Raúl Lino foi chamado a Setúbal para avaliar as ruínas e desenhar o novo edifício municipal. Em 1932, na Praça de Bocage teve início a construção dos Paços do Concelho e, em 1938, foram concluídas as obras do edifício, com o essencial da traça atual, e foi reaberto.
Porém, a origem dos Paços do Concelho de Setúbal é bem mais remota, situando-se no século XV, então na Praça do Castelo ou da Ribeira e era propriedade da Ordem de Santiago”, conta Maria Conceição Quintas, na “Monografia de S. Julião”.
Com a elevação de Setúbal a vila, D. João III manda construir uma nova casa destinada a albergar os Paços Municipais e outros organismos administrativos.
A versão inicial do edifício, que abre portas em 1533 na Praça do Sapal, atual Praça de Bocage, tem vida curta, sofrendo modificações motivadas por terramotos, temporais e pelo peso do tempo.
Na sequência do violento incêndio de 1910, eclodido com a revolta que deu origem à implantação da República, o edifício reabre em 1938, após obras que seguem o projeto de Raúl Lino e que resultam na configuração que apresenta atualmente.
Ao longo de vários séculos passaram por este edifício inúmeras figuras de dimensão nacional e internacional, como presidentes da República, os reis de Espanha e madre Teresa de Calcutá.
Antes, em 1640, João Gomes da Silva, capitão-mor e governador das armas da vila, empunhara o estandarte real na varanda para dar vivas a “D. João IV, rei de Portugal”, na sequência da restauração da independência do País.
Em 2015, os Paços do Concelho ganham novo fôlego, com intervenções de valorização e que foram apresentadas à população por ocasião das Comemorações dos 250 Anos do Nascimento de Bocage.
A casa-mãe da Câmara Municipal, além de contar com as habituais funções comuns a este tipo de edifício, rejuvenesce a sua relação com a cidade, acumulando, a partir desse momento, características museológicas.
O projeto incluiu renovação de mobiliário e nova decoração geral, com aproveitamento de peças do espólio do Museu de Setúbal/Convento de Jesus.