28 Novembro 2022, Segunda-feira
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Exposição colectiva apresenta ligação estabelecida entre artistas, Bocage e a liberdade

Mostra integrada no programa cultural que assinala os 150 anos do monumento ao poeta sadino patente até 12 de Fevereiro no piso superior do MAEDS

 

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“Bocage e eu – a procura da liberdade” é o mote da exposição que, integrada na programação cultural “Bocage, o poeta da liberdade – a construção da memória nos 150 anos do monumento a Bocage”, vai ficar patente no piso superior do Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS) até Fevereiro de 2022.

Integram a exposição colectiva os artistas Ana Férias, Ana Lima-Netto, Catarina Castel Branco, Catarina Garcia, Cristina Troufa, Eduardo Carqueijeiro, Irene Buarque, Jaime Silva, Nuno Lemos, Pedro Almeida, Rosa Nunes e Vítor Pomar, que foram, de acordo com Joaquina Soares, directora do museu, “convidados a pensar Bocage na contemporaneidade e nas dimensões que a sua sensibilidade escolhesse”.

Resultado deste convite, surgem “desde os trabalhos figurativos, mais dinâmicos ou mais contemplativos, até aos puramente abstractos. Sendo uma colectiva, tem imensas virtualidades, várias perspectivas e olhares muito diferentes mas todos eles muito interessantes”.

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Nas suas palavras, “a cerca de dois séculos e meio de distância, o grito bocagiano atravessa, na sua pureza seminal, a espessura do tempo, convocando-nos para a grande festa da transgressão das teias do medo e da volúpia nas infinitas asas da liberdade”.

Dos processos criativos aos resultados

Vítor Pomar foi o primeiro artista a apresentar a sua obra, “1000 Deidades”, de 1999, que ganha agora nova vida, junto de outras como “Rasga meus versos crê na eternidade”, de Ana Lima-Netto, “Andor”, de Cristina Troufa, “Pavorosa ilusão”, de Eduardo Carqueijeiro, “Estados d’Alma – numa janela aberta, símbolo de Liberdade”, da autoria de Irene Buarque, “Sem título”, de Nuno Lemos, e “Out of the Skirt”, de Rosa Nunes.

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Catarina Garcia explicou que a intenção no seu quadro, intitulado “Bocage”, passou por “representar o poeta e a liberdade”. “Considerei que a melhor forma de o fazer seria mesmo pela forma de pintar. Rodei o quadro várias vezes e pretendi que mesmo a forma de encarar a obra fosse livre”.

Por sua vez, Catarina Castel Branco, autora de “Sou mas não sou”, considerou que “Bocage era um homem de grandes contradições” e foi mesmo essa ideia de contradição que a inspirou. A artista destacou igualmente a coragem e irreverência do poeta e enalteceu o facto de nos seus 40 anos de vida ter conseguido “deixar obra”.

Jaime Silva, que começou por agradecer o convite para a exposição colectiva “sobre um poeta com uma filosofia da vida algo complexa, que oscilava entre um certo pacifismo e uma agressividade algo violenta”.

Com a obra “Elmano”, o artista, a quem “não faria sentido a evocação através do retrato ou da figura”, apresenta “aquilo que realmente se fixa do Bocage”. “Aquilo que me interessa nele é o acto de liberdade profundo, a relação com o mar”.

Pedro Almeida, por sua vez, imaginou “que se Bocage vivesse nos dias de hoje estaria a fazer selfies e auto-retratos no Facebook”. O artista, depois de ler alguns versos do poeta, apropriou-se “de um em que ele fala sobre as suas características de fisionomia”.

O seu trabalho, a nível internacional, tem-se “centrado na palavra escrita, na verticalidade, nas riscas e nas geometrias abstractas que se relacionam com os telemóveis, computadores e televisões”.

Enquanto isso, e inspirado na fábula de Bocage “O passarinho preso”, o trabalho de Ana Férias apresenta a frase “Ah! Se a vossa liberdade zelosamente guardais, como sois usurpadores da liberdade dos mais?” escrita num balão.

“Escolhi o balão porque é um objecto frágil, assim como a liberdade. Não é um dado adquirido, tem que ser protegido e cuidado”, partilhou.

Auditório Charlot Ciclo de cinema arranca no fim do mês

Igualmente integrado na programação dedicada a Bocage, o ciclo de cinema “O ideário de Bocage na sua época e na contemporaneidade” arranca dia 31, pelas 11 horas, no Auditório Charlot, com o filme “Azul”.

Este é o primeiro filme da “Trilogia das Cores”, do realizador Krzysztof Kiéslowski, ao qual se segue “Branco”, a 14 de Novembro, e “Vermelho”, a 28, no mesmo horário e espaço.

A iniciativa, organizada pela 50 Cuts e pelo MAEDS, com o apoio do município de Setúbal e da Leopardo Filmes, termina a 5 de Dezembro, com a transmissão de “Amadeus”.

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