Grupo “Corpos que Falam” atuou no Festival de Dança do Barreiro no último sábado
Depois de lançado o livro, no último mês de março, eis que a história de Matilde “ganhou vida em palco”. O grupo “Corpos que Falam”, da Associação NÓS, atuou no último sábado, dia 2, no Festival de Dança do Barreiro, no Auditório Municipal Augusto Cabrita.
“A Magia de Matilde” é da autoria de Paulo Esparteiro que, em parceria com a associação, lançou este livro no último mês de março. A ideia inicial não tinha os contornos que acabou por ganhar, mas o autor ficou bastante satisfeito com o resultado final. “Quando iniciei este projeto, “Corpos que Falam”, o objetivo era criarmos uma pequena companhia de dança inclusiva. Nunca pensei eu acabar por lançar um livro. A história fala de uma menina que, apesar das suas grandes dificuldades motoras, conseguiu alcançar os seus objetivos através da dança. Acabámos por levar esta narrativa ao festival e confesso que estava com algum receio, porque foi a primeira vez que eles participaram num evento tão grande e com outros grupos, mas posso dizer que correu muito bem”, afirmou Paulo Esparteiro a O SETUBALENSE.
O dinamizador deste projeto criado em parceria com a NÓS diz sentir-se “extremamente realizado” por trabalhar com a associação. Levanta ainda a ponta do véu para referir que já estão a ser dinamizados outros projetos coreográficos com o objetivo de que o público perceba que “a música e as artes performativas podem chegar a todo o tipo de pessoas e corpos”, de forma a promover “uma maior inclusão” entre todos.
Projeto ajuda a tratar a deficiência como “algo normal”
Fazer com que a sociedade olhe para a deficiência como “algo normal” é um dos principais objetivos da Associação NÓS. Nas palavras de Marco Gomes, diretor técnico das residências de autonomização e inclusão, este tipo de projetos consegue ajudar no desenvolvimento pessoal dos residentes e na inclusão social dos mesmos. “É altamente valorizador para eles o facto de terem aqui uma perspectiva de normalidade, de se sentirem incluídos na sociedade e de participarem de igual para igual com outras pessoas. No final, é fantástico ver a alegria deles de que conseguiram atingir mais um objectivo de vida”, disse a O SETUBALENSE.
Diariamente, a instituição procura criar dinâmicas inclusivas para estas pessoas sendo que, muitas delas, têm já um estilo de vida muito semelhante ao ‘normal’. “A instituição tem sempre esta perspectiva de inclusão social e nós trabalhamos todos os dias em parcerias com a comunidade civil e com as autarquias nesse sentido. Na linha dos vinte residentes que temos, alguns já têm contrato de trabalho e estão perfeitamente integrados dentro da comunidade”, concluiu.