Timoneiro julgado por naufrágio com quatro mortes ao largo de Tróia

Timoneiro julgado por naufrágio com quatro mortes ao largo de Tróia

Timoneiro julgado por naufrágio com quatro mortes ao largo de Tróia

Manuel Coelho é acusado de quatro crimes de homicídio negligente

Manuel Coelho, 62 anos, de Alcácer do Sal, começa a ser julgado esta terça-feira no Tribunal de Setúbal por quatro crimes de homicídio negligente na sequência do naufrágio da embarcação que pilotava ao largo de Tróia em abril de 2024, numa zona que o Ministério Público considera que o arguido sabia não ser segura, mas decidiu ir na mesma para não perder o dinheiro que as vítimas pagaram para a viagem de pesca.

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Ricardo e Francisco Neves, pai e filho, com 45 e 13 anos, e dois irmãos, Gabriel e José Caeiro, com 23 e 21 anos, primos de Ricardo, todos de Grândola morreram afogados e os corpos foram recuperados ao longo de dias e semanas.

O naufrágio perto das sete horas da manhã de domingo, 7 de abril de 2024. Os quatro tinham pago 50 euros cada um a Manuel Coelho, para os levar à pesca no Rio Sado, nomeadamente ao choco, que há em abundância ao largo de Tróia. Apenas Francisco levou colete salva vidas na embarcação “Lingrinhas”.

Logo a seguir a sair de Soltróia, onde estava ancorada, a “Lingrinhas” sofreu um golpe de mar numa zona chamada Cambalhão, a norte da chamada Restinga, um pesqueiro bastante perigoso e naufragou. Ricardo Neves, Gabriel e José Caeiro foram cuspidos e acabaram por falecer.

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Manuel Coelho ficou por debaixo da embarcação com Francisco Neves, o jovem de 13 anos, ainda com o colete salva-vidas . Acabou por empurrá-lo para fora, julgando que os outros ocupantes estavam a salvo e que recolhiam a criança, mas quando este saiu da embarcação naufragada e agarrou-se a balsas da embarcação já não conseguiu ver ninguém.

Manuel Coelho foi resgatado três horas depois do naufrágio, mas sem qualquer avistamento das vítimas. O perigo do mar naquela altura e naquela zona, aliado ao facto de no dia do naufrágio, o mar ser de inverno, com correntes e ondulações ainda mais fortes que o comum, levou a que nenhuma embarcação passasse no local durante essas três horas. Manuel Coelho acabou por ser resgatado por uma embarcação de pesca que por acaso passava no local.

A Polícia Marítima conduziu ao longo de semanas buscas, acabando por recolher os corpos das quatro vítimas.

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