Exposição da Ephemera revela estratégias de propaganda em Portugal durante 2.ª Guerra

Exposição da Ephemera revela estratégias de propaganda em Portugal durante 2.ª Guerra

Exposição da Ephemera revela estratégias de propaganda em Portugal durante 2.ª Guerra

Pacheco Pereira explicou que a mostra dá a conhecer a propaganda quer civil quer militar, “dando uma ideia do que foram aqueles anos 1940”

A exposição “A Outra Guerra – Propaganda em Português na Segunda Guerra Mundial”, a inaugurar esta terça-feira no Barreiro, revela as estratégias e os argumentos de diversos países para contar a sua versão do conflito.

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Trata-se de uma mostra desenvolvida pelo Arquivo Ephemera, com a curadoria do historiador e comentador José Pacheco Pereira, a partir de um acervo que abrange cerca de 600 espécimes originais com propaganda alemã, inglesa e americana, tudo em português.

Em declarações à agência Lusa, José Pacheco Pereira explicou que a mostra, patente até ao final do ano no armazém 150, na zona industrial do Barreiro, dá a conhecer a propaganda quer civil quer militar, “dando uma ideia do que foram aqueles anos 1940”.

“E tudo isto era dirigido aos portugueses. O que esta exposição tem de particular é o alvo e o alvo são os portugueses, primeiro porque era um país neutral, depois porque era um país cujo regime era suposto ter simpatias pela Alemanha, mas não tinha tantas como se presume”, disse.

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Pacheco Pereira recorda que Salazar era muito conservador e não gostava do paganismo alemão, estando por isso mais próximo do fascismo italiano.

“Uma das vantagens de fazer uma exposição destas é que as pessoas percebem que as coisas são mais complexas do que o ‘Eixo versus Aliados’”, referiu, adiantando que o facto de todos estes materiais agora exibidos serem em português revela que houve um enorme esforço de propaganda em Portugal.

O caso português é um caso típico de todas as técnicas de propaganda usadas pelas partes beligerantes, com exceção da União Soviética devido à censura, e a exposição dá a conhecer através de livros, folhetos, cartazes e materiais diversos, as estratégias e os argumentos usados.

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Questionado sobre a importância de uma exposição sobre propaganda nos dias de hoje, Pacheco Pereira respondeu: “Tudo, porque nós estamos num período negro da nossa história e muito parecido ao período dos anos 1930 e 40”.

“Não é igual, a história nunca se repete, mas é parecido. O que é que tem de parecido? A desvalorização da democracia, a ideia de que aquilo que verdadeiramente pode ajudar as populações é a força e o poder, uma grande vingança histórica”, explicou.

Pacheco Pereira referiu que, neste contexto, o adversário é sempre apresentado de forma pejorativa, tal como hoje acontece nas redes sociais, espaço onde advoga existir uma desvalorização do saber, o favorecimento do confronto e a perda da referência social, com as escolas a perder terreno.

Em complemento à exposição “A Outra Guerra – Propaganda em Português na Segunda Guerra Mundial” é também hoje inaugurada uma instalação reativa ao visitante intitulada “O som é silêncio”, do 18—25 Research Studio, com produção da Space Collectors.

Concebida especificamente para o espaço industrial do Armazém 150, a instalação, da autoria de Filipe Alves e Luca Martinucci, terá a temática da “A Outra Guerra – Propaganda em Português na Segunda Guerra Mundial” e foi inspirada por referências literárias, cinematográficas, históricas e sonoras, cruzando luz, som, movimento e linguagem.

“O otimismo falseado pela propaganda foi o nosso ponto de partida para começar a trabalhar num arquivo de memória que possa afluir durante a visita. Cada pessoa terá uma experiencia diferente. A resposta das três máquinas que construímos será desencadeada por cada visitante dependendo do seu movimento”, explicou Luca Martinucci.

A pré-abertura do Armazém 150, no parque industrial do Barreiro, e a inauguração simultânea das duas exposições, desenvolve-se no âmbito das Jornadas Europeias do Património de 2026, e envolve todos os arquivos e parceiros culturais que fazem parte do projeto Cidade dos Arquivos, que se juntam neste novo espaço da Arco Ribeirinho Sul.

As exposições estarão patentes ao público até ao final do ano, todas as terças-feiras, sábados e domingos e a entrada é gratuita.

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