1 Outubro 2022, Sábado
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A revista que deu lugar à associação que fomenta a criação artística emergente na Margem Sul do Tejo

Este ano dão continuidade ao projecto “Caleidoscópio”, apoiado pela Direcção Geral das Artes, têm exposições e workshops agendados e já pensam em novos projectos para 2023

 

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A ideia de criar uma revista de arte passa a realidade em Julho de 2018 pelas mãos de Margarida Mata e Pedro Cunha. Margarida é formada em Belas Artes e em Museologia e trabalha desde sempre na área cultural, no campo da mediação e produção. Pedro é designer gráfico e antes da criação da FOmE trabalhava enquanto freelancer e realizava outros trabalhos fora da sua área de formação. Quando no Verão de 2018 ficou sem trabalho, logo encontrou na Margarida a vontade de abraçarem novos projectos em conjunto. Em Dezembro do mesmo ano lançam o primeiro volume.

“Pensámos criar uma empresa de design com uma vertente cultural forte, mas seria importante haver algo que distinguiria essa empresa. Tínhamos detectado que seria interessante haver um projecto como a FOmE, que unisse vários projectos artísticos emergentes em Setúbal, Pinhal Novo, Barreiro, etc.”, recordam. “Entre Julho e Agosto de 2018 planeámos o que seria a FOmE, em Setembro começámos a fazer contactos concretos e em Dezembro, sem apoios, recorrendo apenas a investimento pessoal, lançámos o primeiro volume”, adiantam.

Mais de três anos depois, a revista FOmE deu lugar a “uma associação cultural que através de vários projectos, e tendo a revista como núcleo, se dedica a fomentar a criação artística emergente na Margem Sul do Tejo”. Trabalham “em duas vias que se misturam” com artistas locais e não locais, em projectos no território, mas também além dele, “acreditando que são esses fluxos que podem contribuir para um crescimento mais concreto e consequente”.

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Neste momento, a FOmE não é o seu trabalho a full time “pois ainda não temos as condições financeiras que o permitam”. O Pedro é designer freelancer e a Margarida trabalha enquanto assistente curatorial e produtora de artes visuais do Festival Iminente.

A mistura de artistas, geográfica e de expressão, é a marca do projecto

Cada volume da revista apresenta, por norma, cerca de oito artistas, um artigo sobre música, outro sobre um projecto artístico e os restantes mais ligados às artes visuais.

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“Nunca imaginámos que o projecto pudesse ter tantas derivações com a revista como núcleo. Neste momento, produzimos exposições, concertos, peças de arte pública, entre outros, e cremos que essa evolução é sintomática de que de facto seria muito necessário um projecto como o nosso”, consideram. “Queremos sempre dar destaque a artistas da região, mas não queremos criar uma bolha, queremos sim que as bolhas rebentem. Fazemos sempre misturas de artistas, tanto geográficas como de expressão, e achamos que essa é a marca da FOmE. Vemos esta mistura como uma missão que acaba por contribuir para um maior acesso às expressões emergentes”, continuam.

Neste mês de Julho, sai mais um novo volume, inserido no projecto “Caleidoscópio”, que agrega os lançamentos de 2022, sempre acompanhados de concerto, exposição e obra de arte pública. “A nossa lógica é que a revista seja o núcleo a partir do qual nascem esses projectos. Além de contribuírem para uma maior visibilidade da FOmE, estes projectos são também uma forma de sustentar a FOmE e trazer mais trabalho aos artistas”, explicam. “Este ano vamos dar continuidade ao projecto ‘Caleidoscópio’, apoiado pela Direcção Geral das Artes e que contempla um ciclo de programação cuja primeira edição aconteceu no Pinhal Novo, com passagens pelo Barreiro e por Setúbal, realizar exposições, alguns projectos ligados à formação através de workshops e, entretanto, estamos a pensar em novos projectos já para 2023”, continuam.

Na hora de fazer um retracto do panorama cultural da região, Margarida Mata e Pedro Cunha reconhecem-no “vibrante, mas fragmentado”. Registam “diferenças muito acentuadas entre as várias localidades, tanto na quantidade como no género de programação e criação cultural”, sentindo igualmente que “os projectos circulam pouco entre municípios, assim como os públicos. Cabe-nos a nós, agentes culturais, tentar alterar esse panorama e criar redes entre nós que acabem por contaminar as instituições”.

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