Projeto prevê investimentos superiores a 300 milhões de euros até 2035 no reforço das ligações ferroviárias e integração das duas infraestruturas portuárias
Vítor Caldeirinha, presidente dos portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra, apresentou propostas de investimentos para aumentar a infraestrutura marítima, ferroviária, e juntar os portos de Lisboa e Setúbal. “O objetivo é juntar os portos de Lisboa e Setúbal, tornando-se o segundo maior sistema portuário do País, a seguir a Sines”. sublinha Vítor Caldeirinha.
As conclusões foram retiradas no painel “Infraestruturas, Mobilidade e Competitividade”, que decorreu durante a manhã na conferência com este mesmo nome, que decorre durante todo o dia de hoje no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira.
Atualmente, os dois portos movimentam, em conjunto, cerca de 18 milhões de toneladas de mercadorias. A ambição passa por aumentar esse valor para 25 milhões de toneladas, através de uma estratégia de investimento e especialização das diferentes infraestruturas.
O projeto “Portos 5+”, mencionado durante a conferência pelo responsável, estabelece cinco eixos de intervenção para o desenvolvimento portuário, com investimentos previstos até 2035. A estratégia pretende reforçar a posição de Portugal enquanto nação marítima, através da modernização das infraestruturas, da aposta na indústria e da transição para modelos de atividade mais sustentáveis.
No porto de Setúbal a ideia é consolidar a posição da infraestrutura enquanto plataforma industrial, apostando numa indústria mais sustentável. Segundo os dados apresentados cerca de 75% da área portuária encontra-se abrangida por proteção ambiental, um fator que deverá ser articulado com o desenvolvimento de atividades industriais mais verdes.
Entre os projetos previstos está a construção de um terminal multiusos na Mitrena, com um investimento estimado em 80 milhões de euros, e a criação de dois novos cais, num investimento de 70 milhões de euros. Está também previsto um investimento de cerca de 70 milhões de euros num terminal rodoviário.
A estratégia contempla ainda uma nova concessão na Mitrena, com o objetivo de atrair atividade ligada à construção naval, à indústria militar e a outros setores industriais. A construção naval assume particular relevância, tendo em conta que uma parte significativa desta atividade já se concentra na margem sul do Tejo.
Ainda em Setúbal, está prevista a criação de um novo terminal de cruzeiros, enquanto para Sesimbra se pretende desenvolver um novo modelo para a atividade piscatória. O plano não se limita à atividade industrial e ao transporte de mercadorias. O investimento no recreio náutico e no turismo fluvial, tanto no Tejo como no Sado, integra igualmente as prioridades apresentadas.
A estratégia abrange ainda a preparação de terrenos para responder às necessidades de habitação na margem sul, através de uma gestão partilhada que está em negociação com os municípios de Almada, Moita, Montijo, Setúbal, Oeiras e Lisboa.
A ambição passa, assim, por transformar a integração portuária num motor de desenvolvimento económico e territorial, capaz de atrair novas empresas, criar emprego e melhorar a qualidade de vida das populações.
“Estes investimentos propõem requalificar a região a nível internacional”, destacou Vítor Caldeirinha, defendendo uma estratégia que procura posicionar Lisboa e Setúbal como um sistema portuário integrado, mais competitivo e preparado para os desafios das próximas décadas.
No que diz respeito ao porto de Lisboa, a estratégia passa por reforçar a especialização no transporte de contentores destinado ao abastecimento da região, bem como nas atividades de cruzeiros e turismo.
O reforço das ligações ferroviárias é outro dos pilares do plano de desenvolvimento. Entre as propostas está a melhoria da ligação ferroviária a Espanha e o reforço das infraestruturas na zona de Alcântara, em Lisboa, procurando aumentar a capacidade de transporte de mercadorias e reduzir a dependência do transporte rodoviário.
A estratégia inclui também investimentos na zona oriental de Lisboa e uma maior articulação entre as infraestruturas portuárias e os territórios envolventes.
Na área da sustentabilidade, está prevista a expansão da produção de energia solar nas instalações portuárias, com o objetivo de reforçar a utilização de energias renováveis até 2030. A aposta numa “indústria com energias verdes” deverá marcar o desenvolvimento dos portos de Lisboa e Setúbal durante a próxima década.