Vereador comunista diz que o atual executivo vive à custa das obras e dos projetos vindos da anterior gestão da CDU
Nuno Costa, vereador da CDU, classifica como “profundamente negativo” o primeiro ano de mandato do movimento Setúbal de Volta.
Num balanço feito durante a reunião de câmara de segunda-feira passada, o autarca comunista arrasou a gestão municipal e disparou: “Assistimos a uma gritante falta de projeto para o concelho. Não se conhecem novas ideias estruturantes para Setúbal, não se identificam investimentos transformadores lançados por este executivo, não existe uma estratégia clara para enfrentar os desafios do desenvolvimento económico, da habitação, da mobilidade ou da coesão territorial.”
Para o vereador, o que tem valido à atual gestão são os investimentos vindos do mandato anterior. “Se hoje não estamos perante um vazio absoluto de realizações é porque existia um vasto conjunto de projetos, investimentos e obras deixadas pela CDU. As obras que os setubalenses têm visto ser inauguradas ao longo deste ano não nasceram deste executivo”, atirou.
Nuno Costa vai mais longe ao considerar que existe uma “preocupante falta de orientação política, com sinais evidentes de desorganização” no seio do executivo Setúbal de Volta, cuja ação neste primeiro período do mandato ficou “marcada por um conjunto de decisões que penalizam os setubalenses”. E como exemplo apontou “a aprovação do novo tarifário da água e dos resíduos, viabilizado pelo Setúbal de Volta e pelo Chega, que veio introduzir aumentos significativos para muitas famílias e empresas do concelho”. Mas não só. O comunista considera também penalizador “o estranho processo de reversão da cessação do contrato de estacionamento tarifado com a Datarede”, processo que, vincou, “havia sido iniciado pelo anterior executivo da CDU”.
Segundo o autarca da CDU, a única grande bandeira política que “parece mobilizar verdadeiramente” o executivo Setúbal de Volta “é a criação da Polícia Municipal”. Porém, diz tornar-se cada vez “mais evidente que essa opção não responde às principais preocupações dos setubalenses”.
Também preocupante, adiantou, tem sido o “progressivo enfraquecimento da participação democrática no concelho”. É que “o atual executivo apropriou-se politicamente de projetos que constituíram marcas distintivas da gestão da CDU, como o ‘Ouvir a População, Construir o Futuro’ e o ‘Nosso Bairro, Nossa Cidade’”, afirmou, para realçar que o resultado tem sido negativo. “Aquilo que vemos é que estas iniciativas foram perdendo expressão, dimensão e relevância ao longo deste último ano. Hoje existe menos participação, menos proximidade e menos envolvimento das populações nas decisões municipais.”
Nuno Costa enumerou ainda as obras “planeadas, financiadas, projetadas e lançadas” pelo anterior executivo da CDU: “O Centro Escolar Barbosa du Bocage, já inaugurado pelo executivo do Setúbal de Volta, o novo Centro de Saúde da Bela Vista, o novo Auditório de Azeitão, o novo Pavilhão das Manteigadas, também já inaugurado, a histórica obra de saneamento em Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra, a conclusão do Parque Urbano da Várzea ou a reabilitação do Convento de Jesus”.
“Foi igualmente a CDU que garantiu verbas significativas do PRR para a requalificação do parque habitacional e só não se avançou na construção porque as candidaturas não foram aprovadas por falta de verba. Foi a CDU que criou as condições para a construção de uma nova escola em Azeitão, para a reabilitação da Escola Secundária do Bocage, da Escola Básica de Aranguez e da Escola Barbosa du Bocage, bem como para a disponibilização de um terreno destinado à construção de um novo estabelecimento de ensino na Quinta da Amizade”, concluiu.