Em 1943, foi realizado um filme português intitulado “O Costa do Castelo”, de Arthur Duarte e cujo elenco era composto por António Silva (o carismático Simplício Costa, o “Costa do Castelo”), Maria Matos, Milú, Curado Ribeiro e Hermínia Silva, entre outros.
Este é um dos filmes mais icónicos do cinema português de comédia, onde surge o magnífico actor António Silva, enquanto está à janela, em Lisboa, a olhar para a Margem Sul, profere a frase célebre “E querem eles a ponte sobre o Tejo!!!”, com muita ironia, num contexto cómico de muita incredulidade e reserva, perante as ideias consideradas fantasiosas e mirabolantes da época, de construir uma ponte sobre o Tejo, muitos anos antes da ponte ser efectivamente construída.
Antes da construção da ponte, a ligação entre Lisboa e a Margem Sul, fazia-se exclusivamente através de barcos (os famosos cacilheiros) e de ferries, resultando em longas filas de espera e dificuldades diárias de atravessamento.
A minha mãe, que estudou em Lisboa, queixou-se sempre do imenso incómodo que constituía não só a viagem de autocarro, como a travessia de barco propriamente dita.
Frio, calor, estradas em mau estado e desconforto.
A montante, na zona de Vila Franca de Xira, existia a Ponte Marechal Carmona, inaugurada em 1951.
Nessa altura, nos anos 50, o desejo de uma ponte já era algo perceptível.
Esse desejo de unir as duas margens remonta ao século XIX.
Em 1876, o engenheiro Miguel Pais concebeu a primeira ideia formal para uma travessia.
Na década de cinquenta do século XX, o forte crescimento demográfico da Margem Sul, induziram o avanço definitivo do projecto, com a criação, em 1958 do Gabinete da Ponte sobre o Tejo, com o objectivo de dirigir, planear e fiscalizar a construção da ponte sobre o Tejo.
A obra começou em 1962 e foi executada pela United States Steel Export Company, que se inspirou, em termos conceptuais, na Golden Gate Bridge de São Francisco, inaugurada em 1937.
Devido à sua semelhança arquitectónica e estrutural, e pela sua espectacularidade, decorrente do seu imenso tamanho, a construção atraiu grande atenção por parte da população das duas margens do rio Tejo.
A Ponte sobre o Tejo possui dimensões impressionantes, com fundações que chegam a atingir 82.5 metros de profundidade no fundo do rio, e cujas duas torres atingem 190.5 metros de altura.
Na época da sua inauguração, a Ponte sobre o Tejo, destacava-se como a maior estrutura metálica suspensa da Europa.
O anseio de várias décadas por uma travessia sobre o rio Tejo em Lisboa concretizou-se a 6 de Agosto de 1966, com a inauguração da então chamada Ponte Salazar, em homenagem ao primeiro-ministro de então.
Com a Revolução dos Cravos, foi renomeada Ponte 25 de Abril; esta imensa obra suspensa transformou radicalmente a Margem Sul quer sob o ponto de vista da demográfico, urbano e turístico, com a fixação de um cada vez maior número de pessoas, com as antigas localidades a crescerem e outras a surgirem, decorrente de uma mais fácil e escorreita mobilidade.
Diariamente, cerca de 150 mil veículos a atravessam nos dois sentidos.
Setúbal beneficiou largamente com a Ponte 25 de Abril (e depois com a Ponte Vasco da Gama). Melhores acessibilidades, mais rapidez, maior regularidade nas deslocações.
Eu estudei em Lisboa e durante algum tempo percorria a Ponte 25 de Abril diariamente.
Hoje vou a Lisboa semanalmente, apreciando a sua vertente cultural, lúdica, gastronómica. É uma cidade cosmopolita.
A Ponte foi inicialmente pensada apenas para tráfego rodoviário, com um tabuleiro principal com quatro faixas de rodagem, nos dois sentidos. Existia também um segundo tabuleiro subjacente que estava projectado para poder incluir o comboio, o que veio a acontecer em 1999.
Também passou de quatro para seis faixas de rodagem, com a retirada do separador central e o aumento da largura do tabuleiro principal.
Em 1998, para aliviar o tráfego da Ponte 25 de Abril e ligar a Margem Sul com a zona oriental da cidade, foi inaugurada uma segunda grande travessia a montante, denominada Ponte Vasco da Gama.
Hoje, a travessia é uma artéria vital que facilita a vida a milhões de passageiros e integra experiências turísticas, como o Centro Interpretativo Pilar 7, que permite visitar o interior e o topo da Ponte 25 de Abril.
Passados 60 anos, ainda hoje nos fascinamos com a sua majestosidade.