O Vitória despediu-se este domingo da edição 2026/27 da Taça de Portugal ao perder (4-2) no desempate por penáltis com o União da Serra, após uma igualdade a um golo nos 120 minutos da partida no Bonfim. No duelo da 3.ª eliminatória da prova rainha, os setubalenses não conseguiram superiorizar-se a um adversário, filiado na Associação de Leiria, que segue na 2.ª posição da série 3 do Campeonato de Portugal.
O clube de Santa Catarina da Serra, que já tinha afastado da Taça o Amora, inaugurou o marcador ainda na primeira parte, chegando ao intervalo a vencer por 1-0 com o golo de Miguel Pereira. Aos 62 minutos, Zé Mário, que tinha entrado segundos antes, repôs a igualdade na primeira vez que tocou na bola. Até se cumprirem os 120 minutos, mais ninguém marcou e a partida foi decidida nos penáltis com os visitantes a levarem a melhor.
Com este desfecho, continua o calvário de resultados em Setúbal da equipa treinada por Filipe Moreira. Nos quatro jogos disputados em casa (três no campeonato e um na Taça), os verdes e brancos continuam à procura do primeiro êxito. Insatisfeitos com os desfechos verificados e a eliminação de ontem da Taça, os adeptos voltaram a mostrar lenços brancos ao treinador e a assobiar a equipa que disse adeus à possibilidade de jogar na 4.ª eliminatória da Taça.
Em relação ao onze inicial, o treinador Filipe Moreira fez alinhar de início Gonçalo Pinto, Fábio Pala, Tomás Piedade, Henrique Pires, Martins Tobi, Carlos Amaral, João Delgado, Mani Djaló, André Gomes, Gustavo Teixeira e Carlos Djaló. Em comparação com o duelo da semana anterior – empate 1-1 com o Real SC – houve duas novidades com as entradas de Gonçalo Pinto e João Delgado para os lugares de Rodrigo Gomes e Pedro Pinto, respetivamente.
Frente ao atual 2.º classificado da série 3 do Campeonato de Portugal, os setubalenses tiveram ascendente territorial nos primeiros minutos da partida, mas não conseguiram criar situações de grande perigo junto da área contrária. Até aos 20 minutos, Mani Djaló, aos 18, foi o primeiro a visar a baliza defendida por David Santos num remate, sem perigo, que passou longe do alvo.
Do lado do União da Serra, que aos 22 minutos beneficiou do seu primeiro pontapé de canto, os primeiros lances de perigo surgiram já perto da meia hora de jogo. Primeiro na sequência de um lançamento lateral na esquerda que deixou o avançado Willian Costa na cara do guardião sadino, que teve de fazer uma intervenção de recurso para evitar males maiores, e, depois, num remate de fora da área de Guilherme Isaías, que passou ao lado do poste direito.
Com o avançar do cronómetro, os primeiros sinais de desagrado dos adeptos vitorianos começaram a ser audíveis no Bonfim. Sem dinamismo nem acutilância nos vários momentos de jogo, os comandados de Filipe Moreira permitiram que os serranos começassem, aos poucos, a criar mais lances de perigo no ataque. Aos 34, Willian Costa deixou mais um aviso para o viria a materializar-se volvidos poucos minutos.
Numa jogada de ataque bem desenhada pelo União da Serra, aos 37, os sadinos estiveram apáticos no ataque à bola, permitindo que Miguel Pereira dominasse o esférico no interior da área e rematasse para o 1-0, que colocou em festa os cerca de 400 adeptos do emblema filiado na Associação de Leiria que viajaram até Setúbal. Até ao intervalo, já depois de os sadinos terem reclamado um penálti cometido sobre Carlos Djaló (40 minutos), foram os forasteiros que estiveram perto de voltar a festejar.
Com os jogadores completamente desfocados em campo e com a insatisfação dos vitorianos nas bancadas, o União da Serra só chegou ao final da primeira parte com uma vantagem maior devido à sua ineficácia. Aos 44, Fábio Pala foi lento a tirar a bola da zona de perigo e o guarda-redes Gonçalo Pinto teve de se aplicar para evitar o golo. No canto que desse lance resultou, Ivo Navais, sozinho junto ao segundo poste, rematou por cima da trave, falhando de forma incrível o que teria sido o segundo golo.
Zé Mário entrou e marcou
A perderem por 1-0, os verdes e brancos entraram no segundo tempo – período em que Rodrigo Geraldo e Bruno Paula substituíram (46 minutos) Fábio Pala e João Delgado –, com vontade de reentrar na discussão do resultado. Apesar do maior pendor ofensivo, o Vitória só materializou o empate com a entrada de Zé Mário (rendeu Gustavo Teixeira aos 62 minutos), atacante que fez o 1-1 na primeira vez que tocou na bola logo após a sua entrada.
Aos 70, os vitorianos ficaram perto da reviravolta num lance de ataque em que Rodrigo Geraldo fugiu pela direita e cruzou para Carlos Djaló, ao primeiro poste, que falhou por centímetros o desvio de primeira. Aos 85, Zé Mário, após cruzamento de Carlos Djaló na direita, quase voltou a marcar num cabeceamento que só não consumou a cambalhota no resultado porque David Santos defendeu a bola para canto.
Aos 90, na sequência de um livre estudado, o Vitória ficou perto de impedir que o jogo chegasse ao prolongamento. O médio Bruno Paula fez a bola chegar a Tomás Piedade, no interior da área, que cruzou para Zé Mário que voltou a ficar perto do golo num desvio que passou sobre a trave da baliza dos visitantes.
No prolongamento, período em que André Gomes teve aos 120 minutos uma oportunidade soberana para evitar o desempate por penáltis, a igualdade a um golo não sofreu alterações. Da marca dos 11 metros, o U. Serra foi mais forte, acabando por vencer por 4-2 (Francisco Ferreira apontou o penálti decisivo. André Gomes e Tomás Piedade foram eficazes do lado sadino, mas Bruno Paula e Rodrigo Geraldo permitiram as defesas do guardião David Santos, que foi o herói do apuramento serrano.