Uma semana depois do empate (1-1) consentido na receção ao Real SC a contar para a série 4 do Campeonato de Portugal, o Vitória FC volta a jogar no Estádio do Bonfim no domingo, pelas 15:00 horas, desta vez em partida da 3.ª eliminatória da Taça de Portugal. O oponente dos sadinos será o União da Serra, clube da Associação de Leiria que compete na série 3 do Campeonato de Portugal e segue invicto em 2026/27.
Para conseguirem a passagem à 4.ª eliminatória, os comandados de Filipe Moreira terão de fazer algo que ainda não conseguiram na presente temporada em Setúbal: ganhar no Bonfim (nem que seja no desempate por penáltis). Nos três jogos realizados até ao momento como conjunto visitado – todos a contar para o campeonato –, a equipa somou dois empates (Juventude de Évora e Real) uma derrota (Amora) e tudo fará para quebrar o jejum de vitórias.
Já o União da Serra, que segue no 2.º posto da série 3, está a fazer um excelente arranque de época, tanto no campeonato como na Taça de Portugal, competição em que ganhou as duas rondas anteriores (5-0 ao União de Pombal e 4-3 ao Amora). Outro dado relevante diz respeito ao desempenho da equipa fora de portas. Já depois de ter sido o carrasco dos amorenses, no Estádio da Medideira, o U. Serra foi no domingo a Elvas ganhar (2-1) à formação alentejana.
A campanha realizada pelo clube de Santa Catarina da Serra, fundado em 27 de outubro de 1976, é um sério aviso aos sadinos que vão enfrentar no domingo um oponente que nas sete partidas efetuadas contabiliza cinco triunfos (três no campeonato e dois na Taça), dois empates (ambos no campeonato) e zero derrotas, resultando desta estatística um saldo de golos de 17-8.
Já o Vitória tem menos um jogo disputado, uma vez que ficou isento da 1.ª eliminatória da Taça, prova em que só entrou em ação na 2.ª ronda na visita ao reduto do Alcains, do distrital de Castelo Branco. Em seis encontros, os verdes e brancos somam dois êxitos (um no campeonato com o Lajense, 1-0, e outro na prova rainha com o Alcains, 2-0), duas igualdades (Juv. Évora, 2-2, e Amora, 3-1) e duas derrotas (4-2 em Serpa e 3-1 na receção ao Amora).
Taça com história
Depois de duas épocas sem participar na Taça de Portugal, o Vitória voltou em 2026/27 a marcar presença numa competição em que escreveu algumas das mais brilhantes páginas da sua história. Com três títulos conquistados e a presença em 10 finais, quatro delas de forma consecutiva entre 1965 e 1968, os sadinos são um nome obrigatório a mencionar quando se fala na competição a que estão de regresso esta época.
O último troféu erguido pelo clube aconteceu a 29 de Maio de 2005, dia em que bateram na final o Benfica, por 2-1. Antes, também no Estádio Nacional, no Jamor, os sadinos conquistaram e trouxeram o título para a beira-Sado em 1965 e 1967. Das 10 presenças que o Vitória tem na prova rainha, nove foram realizadas no Jamor. A última vez em que tal aconteceu foi em 2006, ano em que a equipa treinada por Hélio Sousa chegou ao confronto decisivo e acabou por sair derrotada (1-0) pelo FC Porto.
Um ano antes, o triunfo tinha sorrido aos setubalenses, que venceram o Benfica (2-1) com os golos da equipa comandada por José Rachão a serem apontados por Manuel José e Meyong. Antes do êxito em 2004/05, o clube tinha estado mais de 30 anos afastado da final do Jamor, estádio onde não jogaram qualquer final entre 1973 e 2005. Em 1972/73, o triunfo foi do Sporting numa partida em que 3-2 foi o desfecho de um jogo em que Duda e Vicente fizeram os golos da equipa treinada por José Maria Pedroto.
Entre 1965 e 1968, anos em que Fernando Vaz era o homem do leme, os adeptos sadinos já sabiam o caminho entre Setúbal e o Vale do Jamor, no concelho de Oeiras, de cor. Afinal, foram quatro as finais consecutivas em que estiveram da Taça de Portugal, daí resultando a conquista de duas. A primeira em 1965, após vencerem o Benfica, por 3-1 (Jaime Graça, Armando Bonjour e José Maria foram os marcadores de serviço).
A segunda conquista deu-se em 1967, depois de vencerem a Académica, por 3-2, após prolongamento, naquela que ficou para a história como a final da Taça mais longa de sempre (144 minutos!). Nesse duelo memorável, Guerreiro, José Maria e Jacinto João foram os autores dos golos que puseram em festa os vitorianos no Jamor. Na década de 1960 também houve dissabores (derrotas com o Benfica, 3-0 em 1962; 1-0, com Braga, em 1966; 2-1 com FC Porto, em 1968). Nas primeiras finais, os sadinos perderam com o Benfica (1943) e Sporting (1954), respetivamente por 5-1 e 3-2.