Há cidades que têm monumentos, outras que se orgulham das suas tradições, da sua gastronomia ou das suas paisagens. Setúbal tem tudo isso. Mas tem também um património que nem sempre valorizamos como merece: um jornal centenário, que há gerações acompanha a vida da cidade, dá voz às suas gentes e regista a sua história.
O Setubalense é muito mais do que um jornal. É parte da identidade de Setúbal. Nas suas páginas encontramos acontecimentos, debates, conquistas, preocupações e histórias de pessoas que fazem desta terra aquilo que ela é. Ao longo de décadas, mudou a cidade, mudou o mundo, mudaram as formas de comunicar. Mas permanece a importância de um jornal que conhece a sua comunidade e que a mantém informada.
Escrevo esta crónica com um olhar diferente daquele que tive durante muitos anos. Ao longo destes 37 anos ligada à comunicação social, aprendi que informar é muito mais do que transmitir notícias. É criar proximidade, despertar consciências, questionar poderes e dar espaço às pessoas. Sei também que fazer comunicação social, sobretudo à escala local, exige persistência, investimento e uma enorme paixão pelo que se faz.
Hoje, acrescento a essa experiência uma nova responsabilidade: sou deputada municipal independente, eleita pelo movimento Setúbal de Volta. É a primeira vez que integro um movimento político, uma experiência que me permite olhar para a cidade também a partir de outro lugar. Mas há algo que não mudou: a convicção de que uma comunidade precisa de informação livre, plural e próxima.
E é precisamente por isso que importa falar do futuro da imprensa local.
Queremos jornais que acompanhem a vida do concelho, que divulguem a atividade económica, que deem visibilidade ao comércio tradicional, às empresas, às associações, à cultura e ao desporto. Queremos que continuem a ser um espaço de encontro entre a cidade e os seus cidadãos.
Mas um jornal não vive apenas de leitores. Vive também do compromisso de quem anuncia, de quem investe na publicidade e de quem reconhece o valor de comunicar junto da sua comunidade. Quando uma empresa escolhe anunciar num jornal local, não está apenas a promover um produto ou um serviço. Está também a contribuir para a continuidade de um meio de comunicação que faz parte da vida coletiva.
Por isso, deixo um apelo aos leitores, aos comerciantes, aos empresários e às instituições: apoiem a imprensa local. Leiam, partilhem, anunciem e valorizem quem continua a contar a nossa história.
Uma cidade que se orgulha do seu passado tem de saber cuidar das vozes que a mantêm viva no presente e que ajudam a construir o seu futuro.
Porque uma cidade sem memória perde as suas raízes. E uma cidade sem imprensa local arrisca-se a perder também uma parte da sua voz.
Hoje, poder escrever no O Setubalense é, para mim, mais do que um desafio. É um privilégio. O privilégio de partilhar ideias num jornal que faz parte da história da minha cidade.