Novo equipamento no Parque Empresarial do Barreiro vem reforçar a oferta para a realização de eventos culturais na cidade
O Parque Industrial do Barreiro passa a contar, a partir desta semana mais um espaço recuperado com o objetivo de reforçar esta área da cidade do Barreiro enquanto espaço cultural, social e empresarial.
O novo espaço Armazém 150, situado no Parque Empresarial do Barreiro da Arco Ribeirinho Sul, teve a sua pré-abertura (muito concorrida) ao final da tarde de ontem com a inauguração de duas exposições singulares e distintas. Um momento que acontece também no âmbito das comemorações das Jornadas Europeias do Património 2026, iniciativa conjunta do Conselho da Europa e da Comissão Europeia.
Presente na ocasião, Sara Ribeiro, presidente Conselho de Administração da Arco Ribeirinho Sul, em declarações a O SETUBALENSE, sublinhou que na base da criação deste espaço está “a procura crescente por parte de entidades culturais demonstra o potencial destes antigos espaços industriais. São áreas polivalentes, adequadas a exposições, conferências, eventos e outras iniciativas”.
Neste contexto, e neste caso em concreto, explica, foi criada uma sala comum, concebida como espaço aberto, de convívio e participação, onde diferentes entidades possam dinamizar atividades. “Após anos encerrado e utilizado como depósito de materiais provenientes da desocupação de outros espaços, o local é agora devolvido à comunidade”, disse.
Revelou ainda que esta inauguração constitui a primeira fase do projeto. Está prevista, adianta, “a abertura de um espaço adjacente, com cerca de 6.000 m², cuja ocupação deverá ser definida em conjunto com os parceiros. Pretende-se que o desenvolvimento não resulte de uma decisão empresarial imposta, mas de um processo colaborativo, capaz de fazer crescer o parque enquanto espaço cultural, social e empresarial”.
As exposições de Pacheco Pereira e do Grupo 18 – 25 Research Studio

São duas a exposições escolhidas para a apresentação do Armazém 150. A Exposição da Ephemera, de José Pacheco Pereira, “A Outra Guerra, Propaganda em Português na Segunda Guerra Mundial”, dá a conhecer, através de livros, folhetos, cartazes e materiais diversos, as estratégias e os argumentos que os vários países envolvidos utilizavam para contar a sua versão do conflito. Do ponto de vista do autor a exposição desempenha um importante papel pedagógico. Estou convencido de que terá um número significativo de visitantes. Ao longo dos anos, realizámos quatro ou cinco grandes exposições desta natureza: uma sobre a censura, outra sobre Sá Carneiro, uma terceira dedicada à imprensa clandestina e outra sobre os autocolantes políticos. A presente exposição integra-se nesse conjunto de iniciativas relevantes, distinguindo-se pelo seu valor documental, histórico e educativo. receção do público.
Por vez, a exposição “O Som é Silêncio” “The Sound is Silence” do 18—25 Research Studio, com produção da Space Collectors, é uma instalação audiovisual e tecnológica, reativa ao visitante. Três dispositivos dialogam entre si, formando um computador semântico: uma inteligência coletiva.
“Quisemos criar alguma complementaridade entre o nosso projeto e o da Ephemera”, refere Paula Melâneo, curadora desta exposição. “Pretendemos estabelecer um diálogo entre os conteúdos, particularmente na dimensão mais emotiva do texto, onde o espaço, o movimento e a luz assumem um papel central. A exposição poderá, assim, constituir um importante momento de reflexão e oferecer diferentes possibilidades de leitura”, acrescenta.
Presente na apresentação destas duas exposições esteve Frederico Rosa, presidente da Câmara Municipal do Barreiro. A O SETUBALENSE, o autarca destacou o mérito do projeto Cidade dos Arquivos no Barreiro uma iniciativa em rede, única em Portugal, que reúne vários arquivos públicos e privados num só pólo cultural e de investigação “Pela primeira vez, foi possível reunir um conjunto diversificado de arquivos e, sobretudo, colocar um espaço que muitos poderiam considerar parado, morto ou sem utilidade ao serviço das pessoas, do pensamento e da reflexão”.
Projetos desta dimensão, considera, “só são possíveis graças à colaboração de um vasto conjunto de entidades, cuja participação permite concretizar estas iniciativas. A Cidade dos Arquivos tem demonstrado, de forma consistente, uma forte vontade de transformar os arquivos e a História em elementos vivos, presentes e essenciais à construção do futuro”.
As exposições estarão patentes ao público até ao final do ano, todas as terças-feiras, sábados e domingos e a entrada é gratuita para a comunidade estudantil e académica e para o público em geral.