Dois golos em apenas sete minutos confirmaram favoritismo dos sadinos, que regressaram com o pé direito à prova rainha do futebol português
Em apenas sete minutos, o Vitória construiu o triunfo por 2-0 sobre o Alcains, na deslocação ao Campo de Jogos António Coelho Trigueiros de Aragão, e carimbou neste domingo a passagem à 3.ª eliminatória da Taça de Portugal. Martins Tobi, aos 36′, e Carlos Djaló, aos 43′, assinaram os golos que sentenciaram a partida, coroando de êxito o regresso dos sadinos à prova rainha do futebol português, depois de um interregno de dois anos.
Depois de ter ficado isenta na 1.ª ronda, a equipa comandada pelo técnico Filipe Moreira estreou-se assim esta época na competição com uma vitória, que, contas feitas no final dos 90′ regulamentares (a somar a mais uns pozinhos de descontos), justificou por completo.
Frente a um adversário de um escalão inferior – o Alcains milita na 1.ª Divisão Distrital da Associação de Futebol de Castelo Branco e havia afastado, em casa, o Sertanense (1-0) na 1.ª ronda –, os sadinos confirmaram o seu favoritismo, sem consentir grandes veleidades aos amarelos, que só mostraram verdadeiramente as garras por uma ocasião. Foi logo aos 17′, num contra-ataque a explorar o espaço no corredor lateral direito verde e branco, que o Alcains ameaçou com perigo a baliza sadina, desta vez entregue a Rodrigo Gomes, que viu um seu companheiro de equipa aliviar quase em cima da linha de golo a finalização de Allef, após cruzamento de Pedrinho. E foi também como que o “canto do cisne” da formação da casa.
Pouco depois, aos 23′, Carlos Djaló livrou-se de um contrário, entrou na área e, cara a cara com Ivan Veloso, permitiu a mancha do guardião. Porém, o golo do Vitória não tardou: Martins Tobi teve cabeça para corresponder de forma eficaz a um livre cobrado da direita e abrir o ativo (36′).
O golpe de misericórdia foi dado aos 43′ por Carlos Djaló: o avançado redimiu-se do desperdício anterior e, após assistência de cabeça de Gustavo Teixeira, dominou o esférico no coração da área e, solto de marcação, finalizou com frieza fora do alcance do “keeper” adversário.
Os verdes e brancos saíam para o intervalo, tal como na passada semana, com uma vantagem de dois golos e a questão era saber como iriam gerir o resultado na etapa complementar, independentemente de ter ficado à vista a sua superioridade.
Sadinos sempre melhores
A resposta sadina, desta feita, foi diferente, mesmo perante um Alcains que nunca se resignou e que batalhou sempre pela sorte, que tentou fazer pela vida, mas sem arte nem engenho para causar mossa no último reduto verde e branco.
A verdade é que o Vitória soube exorcizar qualquer “fantasma” de um passado recente, não se acomodou única e exclusivamente a cerrar fileiras num bloco médio-baixo ou baixo. Pelo contrário, além de ter sido eficiente defensivamente, procurou sempre com apetite a baliza dos amarelos, fosse através de transições ofensivas, fosse até, em alguns momentos, através de ataque organizado – se bem que, nalgumas ocasiões, com alguma dose de precipitação, ou seja, sem paciência para apostar mais na circulação e posse da bola…
Ainda assim, o Vitória foi sempre mais acutilante, conquistou maior número de cantos e ensaiou algumas jogadas que lhe poderiam ter permitido ampliar a vantagem no marcador. Exemplo disso, uma iniciativa de insistência, aos 69′, com Carlos Amaral a aparecer no eixo ofensivo e a conseguir furar até entrar na área e conseguir tempo e espaço para rematar – o tiro com o pé direito saiu, contudo, muito por alto e desviado do alvo.
Filipe Moreira fez as primeiras mexidas na equipa aos 75′, ao fazer entrar Chima e Ussumane Djaló para os lugares de Carlos Djaló e Gustavo Teixeira. E a toada do jogo manteve-se, com o Vitória competente lá atrás e sem nunca descurar a oportunidade de sair rápido – ou em lançamentos de profundidade para Chima (como já o fizera com Carlos Djaló, que parece mais talhado para esse tipo de futebol direto) ou em futebol apoiado –, sempre com o propósito de ferir o adversário.
Pedro Pinto e Fábio Pala foram rendidos aos 85′ por João Delgado e Diogo Martins e, aos 90’+4′, Bruno Paula cedeu o lugar a Giovani. O resultado estava sentenciado, com o Vitória a saber gerir e controlar as operações até ao apito final.