A história das Ilhas Falkland (também conhecidas como Ilhas Malvinas) é marcada por séculos de disputas territoriais entre o Reino Unido, Argentina, Espanha e França, culminando no controlo definitivo pelo Reino Unido, incluindo uma guerra contra a Argentina, em 1982.
O arquipélago, localizado no Atlântico Sul, na plataforma continental da Patagónia, a cerca 500 Kms. do litoral argentino, estava completamente desabitado antes da chegada dos colonizadores europeus no século XVIII, sendo formado pela Falkland Oriental, pela Falkland Ocidental e por mais 776 ilhas de menor dimensão.
Estas ilhas vivem essencialmente do turismo, da pesca, da criação de ovinos (com destaque para a exportação de lã de alta qualidade) e da exploração de petróleo, possuindo somente uma única cidade, a capital, Port Stanley.
Possuem somente 3 mil habitantes, 700 mil ovelhas, têm apenas 50 quilómetros de estradas pavimentadas, não existe um único semáforo e muitas das suas praias são desertas.
O clima é do tipo sub-antárctico oceânico, caracterizado por ser frio, muito ventoso e húmido ao longo de todo o ano, com temperaturas situadas entre os 2 e os 13 ºC. Por essa razão, a vegetação é rasteira, resistente ao vento e sem árvores nativas.
Em 1833, Charles Darwin visitou as Ilhas Falkland, a bordo do navio Beagle, tendo efectuado estudos sobre fósseis e fauna local, tal como o extinto lobo-das-malvinas (Dusicyon australis), o único mamífero terrestre nativo do arquipélago, que se extinguiu no final do século XIX.
Nas Ilhas Falkland vivem e procriam cinco espécies de pinguins: o Pinguim-gentoo, o Pinguim-rei, o Pinguim-saltador-da-rocha, o Pinguim-de-magalhães e o Pinguim-macaroni, para além de outras aves que podem ser observadas facilmente pelos visitantes.
As Falkland constituem parte biogeográfica da Antártida, com ligação à fauna e flora da Patagónia e têm na biodiversidade a sua maior riqueza, possuindo cerca de 16 espécies endémicas.
Actualmente, é um território ultramarino britânico, com governo próprio, eleito democraticamente. A Chefe Executiva chama-se Andrea Clausen, a primeira mulher a assumir o cargo.
Todavia, as Falkland, tal como a Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, continuam a ser reivindicadas pela Argentina, mesmo depois do restabelecimento de relações diplomáticas com o Reino Unido, após a Guerra das Malvinas em 1982, onde morreram cerca de mil soldados.
Quanto à amostragem da faixa pelos jogadores argentinos, na meia-final do Mundial de Futebol, onde estava escrito “Las Malvinas son Argentinas”, sou da opinião que todos os jogadores argentinos que se associaram à amostragem da faixa, a reivindicar as ilhas como pertencentes à Argentina, deveriam ter sido punidos com um jogo de suspensão e impedidos de jogar a final.
Uma coisa é o direito democrático de exprimir a nossa opinião; outra, completamente diferente, é misturar intencionalmente política com futebol, sabendo de antemão que não o podem, nem o devem fazer.
A FIFA proíbe rigorosamente qualquer tipo de manifestação política, religiosa ou pessoal durante as competições que organiza. O seu código disciplinar e o regulamento dos torneios determinam que os estádios e os campos de jogo devem ser mantidos como espaços estritamente neutros.
Também é verdade que a FIFA não cumpre os próprios regulamentos, na sequência do infeliz caso Folarin Balogun/Donald Trump/Gianni Infantino.
Igualmente grave é o presidente da Argentina, Javier Milei, apoiar explicitamente o comportamento dos jogadores.
Não esquecer também que a Argentina mantém diferendos territoriais com o Chile e o Uruguai.
A retórica da Argentina e de Javier Milei relativamente às Falkland, faz lembrar a retórica de Trump com a Gronelândia e a retórica criminosa de Putin, em relação à Ucrânia.
Com as Falkland, também Donald Trump veio dar a sua “douta” opinião, ou não fosse a zona rica em petróleo, uma vez que foram descobertas reservas comparáveis às do Mar do Norte.
No meio de toda esta entropia, existe algo que se me afigura essencial; a vontade das populações locais.
No último referendo realizado em 2013, cerca de 98% dos habitantes das Falkland, decidiram permanecer sob jurisdição britânica.
Desportivamente falando, era-me indiferente que vencesse a Espanha ou a Argentina.
Após este lamentável episódio das faixas, e das figuras tristes protagonizadas pelos jogadores argentinos na final, passei a ter preferência por Espanha.
Ainda bem que venceram.