O Charneca de Caparica Futebol Clube que no primeiro dia do ano comemorou 38 anos de existência e começou por chamar-se Grupo Desportivo Canários da Charneca da Caparica, tem um novo presidente da direção – o sexto da sua história, Paulo Valente que promete apostar ainda mais na formação dos “Canários” para que estes um dia possam voar com a sua qualidade.
Eleito em Abril, Paulo Valente tomou conta do clube em maio e quatro meses depois revelou a o SETUBALENSE alguns pormenores sobre o passado, o presente e o futuro do clube, que se perspetiva risonho.
Assumiu recentemente a presidência de um clube que foi presidido durante mais de 20 anos por José Manuel Santos. O seu objetivo passa por dar seguimento ao trabalho efetuado anteriormente, ou traz ideias novas?
Esta nova direção que foi eleita no dia 24 de abril é composta na sua grande maioria por elementos da anterior direção e isso traz-nos alguma experiência. Sobre o legado do José Santos é de salientar o crescimento que a vila da Charneca de Caparica teve nas últimas duas décadas, e consequentemente o clube, teve que acompanhar, referindo sempre que a obra do presidente José Santos está à vista de todos, sobretudo com a colocação do sintético, a ampliação dos balneários e a construção do auditório e do ginásio que dá apoio à recuperação dos nossos atletas. Nunca deixando de referir as conquistas que obteve em duas décadas, como a subida da equipa sénior ao campeonato da 1.ª Distrital de Setúbal, a conquista do campeonato de SUB-22, a conquista da Taça AF Setúbal – Joaquim José Sousa Marques e a consagração dos juniores com o culminar da subida aos campeonatos nacionais, um feito único em perto de quatro décadas de clube. Mas, duas décadas são desgastantes e o clube já necessitava de uma mudança. As necessidades do clube hoje são muito diferentes das necessidades que tinha há vinte anos atrás. Atualmente o clube precisa de melhorias na organização e de rigor na gestão, dessa forma esta direção não irá atirar fora o trabalho das direções anteriores, trazendo no entanto ideias novas.
Concretamente quais são os objetivos da nova direção?
Os principais objetivos para este mandato terão por base o melhoramento do processo formativo dos atletas, uma comunicação mais próxima e transparente com os encarregados de educação, uma maior aproximação da comunidade ao clube (nomeadamente trazer as gentes da Charneca para a festa do futebol amador) e continuar a apoiar a prática do desporto sobretudo aos jovens mais desfavorecidos, com o apoio social que o clube dá. Isto tudo nunca esquecendo o equilíbrio das contas, sem deixar de estar atentos às necessidades dos nossos jovens.
O clube tem vindo a crescer bastante e as instalações do Cassapo estão a ficar cada vez mais curtas. Como pensa resolver o problema?
No decorrer do mês de março de 2025 tivemos a notícia que há tanto esperávamos por parte da autarquia, na pessoa da presidente Inês de Medeiros, o projeto de um complexo desportivo com dois campos com as medidas adequadas à prática do futebol. Nessa altura fizemos uma visita aos terrenos onde irá ser construída a nossa nova casa que vai ficar junto ao Vitória das Quintinhas. O projeto vai-nos ser entregue ainda este ano. E nós esperamos que as obras comecem no decorrer de 2027, mas ainda não estão adjudicadas porque requerem alguns formalismos públicos.
A nível competitivo os juniores estiveram a época passada na 2.ª divisão nacional mas não realizaram nenhum jogo em casa. Esse foi um fator que contribuiu para a descida de divisão?
Foi um sonho alcançado ao fim de praticamente quatro décadas. Uma equipa nos campeonatos nacionais com a importância de ter sido a equipa juniores que se traduziu na entrada direta no plantel sénior de oito atletas, que se sagraram campeões distritais. Por sua vez, no plantel 2026/27, tiveram passagem pela formação do Charneca 18 jogadores em 27, o que faz de nós uma equipa realmente formadora para a nossa realidade. Em relação aos juniores, infelizmente foi impossível a continuidade sobretudo devido ao desgaste que tivemos no decorrer da época. Tivemos que atravessar três concelhos para podermos jogar em casa. Para essa época chegamos a ter um protocolo com o Almada AC, onde iriamos fazer os jogos caseiros, porém por algumas adversidades não foi possível ao Almada AC ceder-nos o espaço, ficando mesmo assim o agradecimento à sua presidente Andreia, por todas as tentativas para desbloquear o processo. Posto isto, só encontramos alternativa em Alfarim, localidade que fica a cerca de 30 quilómetros. Gostaria de dar uma forte palavra de agradecimento às gentes de Alfarim, na pessoa do seu presidente José Fernando, por todo o apoio que deu ao Charneca de Caparica FC desde a primeira hora, em disponibilizar as suas instalações.
Na 1.ª Divisão Distrital a equipa surgiu esta época com um plantel bastante renovado e muita gente jovem. O futuro do clube passa por aí, pela aposta na formação?
Como mencionei anteriormente, o nosso projeto passa por promover a nossa formação. Repito e saliento, num plantel de 27 jogadores temos 18 que passaram pela nossa formação. O futuro é apostar na promoção da nossa formação, só assim faz sentido sermos um clube formador.