Iniciativa deverá ter um número recorde de inscrições, ultrapassando já as sete mil presenças registadas em 2025
A zona ribeirinha do Seixal volta a acolher, no sábado, uma caminhada e uma corrida pela construção de um hospital, durante a qual se realizarão rastreios de prevenção do cancro da pele, hipertensão e diabetes.
A construção da unidade de saúde é uma reivindicação com mais de duas décadas que já foi objeto de um protocolo entre o Estado e a Câmara Municipal, em 2009, com inauguração prevista para 2012.
Segundo o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Paulo Silva, o processo tem tido várias etapas com avanços e recuos e atualmente “aguarda-se a adjudicação da revisão do projeto de execução, sem prazo previsto”, o que, no seu entender, evidencia falta de vontade política.
“O hospital público no Seixal é a grande prioridade do município, que, há muitos anos, reclama junto do Governo a construção deste equipamento”, disse Paulo Silva na apresentação da 4.ª edição da caminhada e da corrida em defesa do hospital do Seixal, promovida pela Câmara Municipal e pelo Núcleo do Sporting Clube de Portugal do Seixal, com o apoio da Comissão de Utentes de Saúde do Concelho do Seixal e das juntas de freguesia.
Segundo o autarca, a iniciativa deverá ter um número recorde de inscrições, ultrapassando já as sete mil presenças registadas em 2025.
O evento, de participação gratuita, foi pensado para envolver participantes de diferentes idades e níveis de preparação física, tendo a caminhada uma distância aproximada de três quilómetros, enquanto a corrida contará com um percurso de cerca de cinco quilómetros.
Este ano juntaram-se à iniciativa entidades que realizarão rastreios oncológicos, de diabetes e cardiovasculares, entre as quais a delegação do Seixal da Liga Portuguesa contra o Cancro, a Lions Club do Seixal e três farmácias (Belverde, Pinhal de Frades e Reis Barata), além da Associação de Dadores Benévolos de Sangue do concelho do Seixal para divulgação das sessões de dádivas.
Paulo Silva considera que a participação crescente ao longo das edições demonstra o envolvimento e a determinação da comunidade em continuar a defender esta causa, lembrando que o Seixal é o concelho que mais está a crescer na Área Metropolitana de Lisboa e atingiu 198.254 habitantes, aproximando-se de Almada, município da Península de Setúbal com mais população (202.896).
Segundo dados do Pordata, a população do concelho aumentou 15% entre 2021 e 2025, acima da média nacional (7,8%) registando o maior aumento populacional quando comparado com os cinco municípios mais próximos.
O hospital público que serve estes dois municípios é o Garcia de Orta, em Almada, um equipamento criado em 1991 para servir uma população de 200 mil habitantes, mas que agora dá resposta ao dobro.
O presidente da Câmara Municipal do Seixal considera que, “apesar do elevado profissionalismo dos profissionais que trabalham no hospital Garcia de Orta, é impossível que continue a servir com eficiência”, tendo em conta a dimensão da população.
Paulo Silva advoga que o aumento do número de residentes e a pressão exercida sob o hospital, pertencente à Unidade Local de Saúde Almada-Seixal (ULSAS), são razões atuais para que o hospital do Seixal seja uma realidade urgente, com um serviço de urgência geral e consultas de especialidade em coordenação com a ULSAS.
Desde o início desta luta, em 2001, já se realizaram inúmeras iniciativas reivindicativas, como um cordão humano em torno da Baía do Seixal, um hospital de campanha no âmbito da ação “Em Campanha pelo Hospital no Seixal”, o “Mais Um Natal sem Hospital no Seixal”, a campanha “1 Voto pelo Hospital no Seixal” e ainda a caminhada e a corrida.
Em dezembro de 2015, após um abaixo-assinado com mais de oito mil assinaturas, foi aprovada uma resolução da Assembleia da República para construção urgente deste equipamento e no Orçamento do Estado para 2017 foi inscrita uma verba de 10 milhões de euros para relançar o projeto e o concurso, tendo sido mesmo noticiado o seu arranque em julho de 2017.
Contudo, só em junho de 2018, com a assinatura de uma nova adenda ao acordo inicial, em que a Câmara do Seixal assumiu os custos da construção das acessibilidades (três milhões de euros), foi possível lançar um novo concurso.
Em 2019, o Governo anunciou novo adiamento, assumindo que, durante o primeiro trimestre de 2023, apresentaria o projeto de execução para posterior lançamento do concurso de construção, mas em 2024 o projeto de execução ainda esperava a revisão a que a lei obrigava, aguardando-se definição da entidade que, após a extinção da Administração Regional de Saúde e Lisboa e Vale do Tejo, assumiria esta competência.
A entidade é agora a ULSAS.