Associação ambiental contesta urbanização em área da Rede Natura 2000 no Seixal

Associação ambiental contesta urbanização em área da Rede Natura 2000 no Seixal

Associação ambiental contesta urbanização em área da Rede Natura 2000 no Seixal

A concentração reuniu 22 pessoas e terminou com uma delegação de dois representantes da associação a ser recebida por assessoras da presidência da Câmara Municipal do Seixal

Duas dezenas de pessoas protestaram hoje junto à Câmara Municipal do Seixal contra a possibilidade de urbanização da Zona Especial de Conservação (ZEC) Fernão Ferro/Lagoa de Albufeira, alertando para os “impactos na biodiversidade e na recarga dos aquíferos”.

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A concentração, promovida pela Associação Ambiental Seixal Verde, reuniu 22 pessoas e terminou com uma delegação de dois representantes da associação a ser recebida por assessoras da presidência da Câmara Municipal do Seixal.

Em declarações à Lusa, Pedro Pericão, da Associação Seixal Verde, explicou que os manifestantes contestam a possibilidade de construção numa área classificada como Zona Especial de Conservação e que está integrada na Rede Natura 2000, defendendo que o “município deve privilegiar a preservação do espaço natural”.

“A nossa manifestação é para que a Câmara Municipal abdique dessa vontade de apoiar esta grande empresa de construção, Alves Ribeiro, a construir numa zona natural e importante em termos de património natural e de biodiversidade”, afirmou.

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O dirigente da associação Seixal Verde advertiu ainda que o projeto em causa poderá ter um impacto direto sobre uma zona de cerca de 300 hectares de terreno, não obstante também estar prevista a preservação de uma área envolvente que poderá atingir cerca de 400 hectares.

A associação considera, no entanto, que a urbanização daquele território compromete a continuidade ecológica e defende que toda a área deve permanecer protegida.

Além das consequências para os habitats e para a biodiversidade, os manifestantes apontam também “riscos para a disponibilidade de água subterrânea”, considerando que a “impermeabilização dos solos pode reduzir a capacidade de recarga do aquífero, que abastece os concelhos de Almada e do Seixal”.

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Segundo afirma Pedro Pericão, dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) revelam que os “níveis do aquífero permanecem baixos apesar da precipitação registada no último inverno”.

Após a concentração, uma delegação constituída por Pedro Pericão e pelo presidente da Mesa da Assembleia Geral da associação, César Gomes, foi recebida por duas assessoras da presidência da autarquia.

Segundo o representante da associação, as assessoras da presidência do município salientaram o facto de o processo ainda ter de percorrer várias fases e ser apreciado por diferentes entidades, designadamente pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) e de a área urbanizável poder vir a ser inferior aos cerca de 300 hectares referidos pelos contestatários.

Pedro Pericão adiantou ainda que a associação considera que, independentemente da dimensão final do projeto, a classificação da área na Rede Natura 2000 deve determinar a prioridade da conservação.

“Não interessa se são mil construções, 100 construções ou 10 construções. Nada devia ser construído aqui. Isto é Zona Especial de Conservação”, afirmou Pedro Pericão, lembrando que existem outras áreas já classificadas como urbanas no concelho que podem dar reposta à procura de construção, sem necessidade de ocupar terrenos abrangidos pelo regime de conservação.

Criada em março de 2025, a Associação Ambiental Seixal Verde tem como um dos principais objetivos impedir a urbanização daquela área e defende, a prazo, a criação de um parque natural que permita conciliar a conservação da biodiversidade com a utilização pública do espaço.

A agência Lusa tentou ouvir a Câmara Municipal do Seixal mas não foi possível em tempo oportuno.

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