100 ANOS DO DISTRITO DE SETÚBAL, 100 ACONTECIMENTOS.
Com mais de meio século, episcopado é celebrado num local “com sabor a povo e cheiro a mar”
As palavras de D. Américo Aguiar, atual bispo da Diocese de Setúbal, fizeram-se ecoar na Sé Catedral aquando da celebração do meio século da entidade, no ano passado.. “Hoje o coração de Setúbal pulsa mais forte, São Paulo VI quis que aqui, junto ao Tejo e ao Sado, nascesse uma Igreja com sabor a povo e cheiro a mar, uma Igreja que aprendesse a servir, a escutar, a cuidar”, referiu o também cardeal. A Diocese de Setúbal foi criada em 1975 pela Bula «Studentes Nos», do Papa S. Paulo VI. Tal como conta a história descrita no site da Diocese, a Igreja de Santa Maria da Graça foi tornada Catedral e foi nomeado o seu primeiro Bispo, D. Manuel da Silva Martins. Este, também nascido em Leça do Balio, à semelhança de D. Américo Aguiar, era, até à época, Vigário-Geral da Diocese do Porto e acabou por tomar posse em Setúbal a 26 de outubro de 1975.
A Diocese de Setúbal foi assim criada a partir da reorganização de territórios que pertenciam a três dioceses diferentes. A maior parte desta nova diocese resultou do Patriarcado de Lisboa, que incluiu quase toda a Península de Setúbal. Para a nova estrutura passaram ainda as zonas de Canha e Pegões, bem como a paróquia da Comporta, que pertenciam à Arquidiocese de Évora, e a Península de Tróia, que estava até então integrada na Diocese de Beja. Inicialmente, o Santuário de Cristo Rei e o Seminário de Almada permaneceram ligados a Lisboa, mas acabaram por ser incorporados na Diocese de Setúbal em 1999, completando aquela que é a definição do seu território.
Nesta perspetiva, a Diocese de Setúbal cobre assim a totalidade de nove dos 13 concelhos do distrito (Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal) e ainda partes de outros dois (Alcácer do Sal e Grândola).
Um desejo antigo da Península de Setúbal
A criação da Diocese de Setúbal foi preparada alguns anos antes, quando o então Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Cerejeira, criou, em 1966, a Região Pastoral de Setúbal, nomeando como responsável o cónego João Alves, mais tarde bispo de Coimbra. Em paralelo, foram feitas conversações com as dioceses vizinhas para definir um território mais coerente para a futura nova diocese.
No entanto, a ideia de criar uma diocese na região já era antiga e tinha sido defendida por vários setores da sociedade desde a criação do Distrito de Setúbal, em 1926. Apesar da proposta não ter avançado na altura, considerava-se que a criação do distrito justificava também a criação de uma estrutura eclesiástica própria com o mesmo território. Na Península de Setúbal, essa aspiração tinha ainda raízes mais profundas, já que a região tinha sido historicamente administrada durante séculos pela Ordem de Santiago, mantendo uma identidade própria em relação ao Patriarcado de Lisboa. Sentimento este que se reforçou com o crescimento industrial e populacional do século XX, marcado pela chegada de pessoas de outras regiões.
Nas décadas seguintes, a diocese passou por diferentes fases de consolidação e desenvolvimento. Entre 1998 e 2015, sob o episcopado de D. tante passo na organização interna da estrutura diocesana, bem como na sua capacidade de resposta aos desafios sociais. Tal como é referido na sua página oficial, neste período, pode ser destacada a reorganização de serviços e equipamentos eclesiásticos, a transferência do Seminário de Setúbal para Almada e a instalação da nova Cúria Diocesana no espaço do antigo Paço e Seminário, em Setúbal. Foi também restaurado o monumento do Cristo Rei e incentivou-se a construção de novas igrejas em comunidades em crescimento.
Já em 2015, D. José Ornelas assumiu a liderança da Diocese, tendo sido ordenado na Sé de Setúbal a 25 de outubro desse ano. Durante o seu episcopado, que durou até 2022, foi criado o Tribunal Diocesano de Setúbal e promovidas iniciativas de organização e formação, com o objetivo de consolidar a estrutura da igreja. Este período ficou também marcado pela pandemia da Covid-19, que obrigou a uma adaptação da ação pastoral e limitou o avanço de vários projetos, acabando por exigir novas formas de proximidade e comunicação com os fiéis. Em 2022, com a sua transferência para a Diocese de Leiria-Fátima, seguiu-se um período “difícil” da história, a Sé vacante, que só terminou em setembro de 2023 com a nomeação de D. Américo Aguiar como novo bispo de Setúbal.