“Sou apaixonada por pessoas”, afirma Maura Cunha, com um sorriso rasgado e contagiante, uma paixão que molda sua visão do mundo. É esse amor pelas pessoas que não a faz passar despercebida.
Ao chegar à Casa do Turismo, reencontra um espaço onde viveu um capítulo importante da sua vida,
o estágio. Ao sentar-se, puxa o casaco devagar e coloca-se numa posição confortável, pronta para reviver memórias que guarda com carinho. “A minha vida era tranquila”, responde com uma voz pausada e um brilho no olhar, revivendo cada momento passado em Luanda, a sua terra natal. Conta os dias vividos e a forma como as pessoas, mesmo sendo desconhecidas, pareciam família: “eu saía a cumprimentar as pessoas e todo mundo respondia”.
Apesar de já viver em Portugal há 3 anos, ao recordar Luanda percebe a profundidade da saudade, “bate sempre uma saudade”, admite. A capital de Angola surge nas palavras como uma cidade viva, onde, a cada gesto, se sentia o calor humano.
Maura Cunha tem 33 anos e trabalha na área da estética, no Barreiro, profissão que abraça com dedicação
e muito esforço, admitindo que passa muito “tempo em gabinete”. A mudança para Setúbal, foi motivada pelo amor que sente pelo marido, que alcança barreiras, “eu vim mais acompanhar o meu marido porque ele ia fazer o seu mestrado”. Foi um dos grandes motivos que a inspirou a investir nos seus estudos no Instituto Politécnico de Setúbal.
Não esconde os momentos mais difíceis, “queria desistir”, diz com um tom de orgulho, porque, apesar de tudo o que passou, foi forte tendo as pessoas certas ao seu lado, “foram pessoas assim que me fizeram terminar o curso”.
Há momentos em que a saudade de Luanda torna-se ainda mais forte, sobretudo na cozinha, quando prepara funge, prato típico de Angola. “Nas refeições durante a semana tem que ter um funge pelo menos sábado e domingo”, refere.
O aroma transporta-a imediatamente de volta para casa, onde o calor da família, a mesa cheia e as conversas longas faziam parte da rotina. E, mesmo sentindo-se perdida nessa memória, volta à realidade e percebe o quão distante está.
A mudança para Portugal trouxe-lhe novas descobertas, mostrando que um local que era apenas passageiro, atualmente, é uma casa que a acolheu como quem abraça um velho amigo, “eu amo Setúbal”. As gargalhadas únicas, naturais e leves de Maura Cunha são um traço de personalidade, sendo a sua maior companheira, mostrando que a alegria não é apenas uma característica própria, mas um aspeto envolvente.
Em Luanda construiu memórias inesquecíveis, mas em Setúbal construiu o seu futuro e é entre estes dois locais que representa a sua essência natural e o sorriso marcante.
Tem o objetivo de viver de forma tranquila, longe das grandes metrópoles, “não gosto muito de Metrópoles muito agitadas tipo Lisboa”, preferindo espaços onde tudo se move no tempo certo. Maura Cunha representa exatamente como a alegria pode guiar um bom caminho, “e estar com o coração aberto, open mind” é um método para alcançar os seus objetivos. Apesar de ser uma pessoa de pessoas, confessa que vai para a Suíça “dizem que as pessoas são muito mais frias do que aqui”, mas não é isso que a vai impedir de seguir sempre o seu coração. E assim segue Maura Cunha, entre as memórias que a acompanham e o futuro que a convida, sempre acompanhada com a sua gargalhada inconfundível.
Cada obstáculo alcançado carrega histórias, risos e saudades, tudo com um sentido bem definido. Não percorre apenas caminhos, espalha alegria e marca uma presença inesquecível que ilumina os locais por onde passa.
Texto publicado por Marta Miranda na edição especial da revista ‘Perfil Local’, da ESE-IPS